Brüno, de Larry Charles 2009
Há mais de uma década que Sacha Baron Cohen se esforça por chocar os incautos com perguntas inesperadas e situações de sexualidade do mais puro mau gosto. O seu programa Da Ali G Show entrecortava entrevistas brejeiras com sketches humorísticos, nos quais desenvolveu três personagens específicos: Ali G, Borat e Brüno, respectivamente o rapper, o anti-semita e o crítico de moa. As três figuras rastejaram até à 7ª Arte (Ali G em 2002, Borat em 2006), com resultados desapontantes, mas Borat conheceu um súbito êxito (Globo de Ouro de Melhor Actor Numa Comédia e nomeações para o Globo de Ouro de Melhor Musical ou Comédia e Óscar de Melhor Argumento Adaptado), porque surgido numa altura em que o mundo queria gozar com o povo americano.
Como Borat estava em grande, Cohen conseguiu que Brüno fosse licitado entre as maiores produtoras de Hollywood, tendo a Universal arrebatado o projecto por 42 milhões de dólares. De barriga cheia, Cohen não se preocupou com um guião competente e os sketches, em vez de controversos e satíricos, são meramente estéreis e frustrantes.
Brüno é um apresentador de moda austríaco abertamente gay que, ao ser despedido por estragar uma passagem de modelos, decide rumar a Los Angeles com o objectivo de tornar-se uma celebridade. Uma vez aí, faz figuração num episódio da Medium, entrevista Paula Abdul, simula um felácio ao fantasma de um dos Milli Vanilli, tenta fazer paz no Médio Oriente (a que chama de Terra Média, onde habitam os Hobbits segundo Tolkien), volta com um bebé negro que leva a um talk show com plateia exclusivamente negra, fala com um terapeuta que cura a homossexualidade, invade uma orgia de swingers e beija outro homem num ringue de luta livre.
Entre querer e saber fazer vai uma distância astronómica e Sacha Baron Cohen evidencia uma total ausência de timing e de eficácia. A técnica subversiva da construção dos números é a mesma que em Borat: conduzir situações de apanhados degradantes, com desconhecidos ou figuras públicas (Ron Paul, Paula Abdul) e colar essas cenas a cuspo, numa estrutura débil e funcional a que destemidamente chama de enredo. Os visados são, na sua maioria, apáticos (o vidente, os pais dos bebés modelos fotográficos) e falta frescura ao repisar os mais básicos estereótipos sobre homofobia, racismo e vacuidade do conceito de celebridade. Larry Charles é o realizador, mas uma vez mais (Borat e Religulous) limita-se a cumprir a função de cameraman de serviço.
Brüno, de Larry Charles 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
10 Comments:
Eu vi o Ali G no cinema e achei piada, vá-se lá saber porque (coisas da idade com certeza, acho que nem tinha idade para o ver no cinema, mas vi).
O Borat ainda não vi.
Não gostei deste, estive pra o ver no cinema, felizmente não o fiz.
Não lhe achei piada, bem pelo contrario. É um humor forçado com situações demasiado ridículas para terem piada.
Alem daquilo que já falaste ainda temos aquela magnifica incursão no exército, um arrepio.
Um cinto da D&G naquela farda, era de o tirar e lhe dar com ele:P
detestei o filme de ponta a ponta. o borat ainda tinha algumas coisas cómicas, este e o ali g não valem nada.
a única cena em que me ri foi no talkshow com uma plateia exclusivamente negra e ele leva um bebé negro que diz que trocou por um iPod. A indignação das pretas foi cómica.
sabes que o ali g não era bem para a minha idade, quando o vi, provavelmente achei-lhe piada por isso.
eu normalmente não detesto os filmes, não gosto de uma coisa ou outra...
este detestei mesmo, não encontro uma unica razão para valer a pena ver isto.
é tão mau que se torna absurdo ler críticas positivas ao filme. não podem ser bons da cabeça ou terem visto o mesmo filme que eu.
parece que desde o borat, ou gostas ou não percebes.
o que eu acho é que o cohen cagou de alto. pagaram-lhe 42 milhões só pelo personagem e ele borrifou-se para o resto.
eu dificilmente concordo com os críticos de cinema. mas para isto ter criticas positivas eles não devem ter visto o mesmo k eu.
se ou gostas ou não percebes, eu definitivamente fico do lado dos que não percebem.
42 milhões por isto? eu nem do personagem gosto...
pagaram 42 milhões só pelo personagem, de direitos de autor, como quem compra os direitos de adaptar um livro.
sem falar no que não custou de vencimento para o sasha, o argumento e o resto.
ok, o dinheiro mais mal gasto que eu alguma vez vi.
este filme causou alguns traumas, podiam tirar algum dinheiro para pagar alguns psicologos:P
o mais fraco do filme é que ele foi feito em formato apanhados (as pessoas filmadas não sabem que estão a ser filmadas para o filme), mas são os apanhados mais infelizes de que há memória.
isso não sabia, mas sem duvida os piores apanhados que ja vi.
a cena k mais me irritou foi mesmo aquela passagem na guarda nacional, lembrou-me o jose castelo branco...
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