Sexta-feira, Setembro 04, 2009

Anjos e Demónios, de Ron Howard

Dan Brown teve o seu momento de apoteose com O Código Da Vinci, escrito em 2003 e estreado em 2006, o que levou a que o seu primeiro romance com o personagem do simbologista Robert Langdon fosse repescado. Para o cinema, Ron Howard decidiu inverter a cronologia, fazendo de Anjos & Demónios uma sequela, apesar de publicado em 2000.

Antes que o conclave papal tenha início, quatro cardeais (os Preferiti) são raptados e é recebido pelas autoridades um enigma, em forma de manifesto Iluminati (uma seita secular do século XVIII que advoga a ciência em detrimento da religião), no qual se expressa o fim que lhes está destinado: irão ser assassinados, um por hora, com especificações que cabe descodificar. Para tal é consultado Langdon, que percorre Roma (e o Vaticano no seu interior) atrás de pistas e em busca das vítimas. Para além da ameaça que cai sobre os Preferiti, há ainda uma bomba de anti-matéria suspensa sobre São Pedro.

Anjos & Demónios nem parece realizado pelo mesmo Ron Howard que tanto maltratou Gioconda, mas dá ares àquele que encenou Frost/Nixon o ano passado. Desta vez, a mesma equipa vem com uma pedalada mais enérgica e é caso para dizer que aprenderam a lição. Além de Tom Hanks e de Ron Howard, regressam o compositor Hans Zimmer (o mesmo de Frost/Nixon e que colaborou com Howard pela primeira vez em Mar de Chamas, de 1991), o produtor Brian Grazer e o argumentista Akiva Goldsman, agora acompanhado de David Koepp (Parque Jurássico, Homem-Aranha e Sala de Pânico), contratado especificamente por Hanks. Os discursos com revelações são disparados em movimento, a acção não perde o fôlego e a curiosidade na intriga é mantida com propriedade. Até o turismo sai favorecido, o que não é prejudicado (antes pelo contrário) por muitos dos locais terem sido recriados em estúdio: a Praça de S. Pedro, a Capela Sistina, a Piazza Navona, a Basílica de S. Pedro, Santa Maria de la Vittoria, o Panteão e a Sala Regia.

No campo das interpretações, Tom Hanks está mais credível, mais atlético e com um penteado mais aceitável (só Nicolas Cage parece ainda não ter aprendido que a existência de patilhas disfarça a estranheza da peruca). À discrição de Ewan McGreggor (Leonardo Di Caprio recusou a oferta pessoal do papel por parte de Tom Hanks, com quem filmou Apanha-me Se Puderes, em 2001) nada há a apontar, Stellan Skasrsgard e Armin Mueller-Stahl telegrafam as suas prestações e à israelita Ayelet Zurer pode tirar-se-lhe o chapéu, pela concisão e moderação (ela que nem de gatas e a ladrar perde a dignidade, como aconteceu em Adam Renascido, 2008).

Clint Eastwood manifestou interesse no projecto, mas Howard estava contratualmente obrigado a fazê-lo e expressou que gostaria até de concluir a trilogia de Robert Langdon, ainda que o terceiro livro esteja só em processo de escrita. Quanto a Anjos & Demónios, entretenimento algo hermético e académico, ainda que empolgante (mais pela ausência de tempos mortos, que não dá oportunidade ao raciocínio), peca pela pompa excessiva com que é conduzida a cena da explosão. É ridículo que se refira ter-se menos de cinco minutos para desactivar uma bomba e se opte por pegar na dita, percorrer as catacumbas, sair do edifício, atravessar a Praça de S. Pedro, expulsar um piloto de um helicóptero e subir acima do nível das nuvens. Alguém cronometra?

Angels And Demons 2009

3 Comments:

Blogger Sam said...

eu andei a contar os dias para a estreia:P

gostei do filme, embora ele fuja um bocado ao livro.
no livro o final nao é assim e a descrição da Victoria Vectra muito menos...

divergencias a parte... gostei, é bem melhor k o "Codigo Da Vinci" houve uma grande evoluçao de um para o outro.

O Tom Hanks enquadra bem melhor o personagem.

9/04/2009 3:02 AM  
Blogger Tiago Ramos said...

O filme consegue ter uma dinâmica muito mais empolgante que o seu antecessor. Não é um filme perfeito, mas também não é mau.

9/04/2009 9:08 AM  
Blogger rui.molina said...

....como diz Ricardo, um filme fast food!!!!

12/22/2009 9:11 PM  

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