Quinta-feira, Agosto 20, 2009

Transiberiano, de Brad Anderson

A ferrovia transiberiana é uma rede de linhas que une Moscovo às províncias de leste da Rússia, à China, Mongólia e ao Mar do Japão, mas Transiberiano limita o trajecto do comboio a pouco mais do que planícies cobertas de neve e ciprestes, que representam a parte mongol do percurso, o que nem funciona como postal ilustrado, porque as filmagens decorreram na Lituânia.

Posto de parte que fica olhar pelas janelas, a vontade de olhar para o interior das carruagens esfuma-se rapidamente. Um casal de sensaborões missionários americanos partilha a cabina com um par de turistas suspeitos, um espanhol atiradiço e uma americana nervosa. Numa paragem a meio da viagem, com matrioskas pelo meio, o missionário desaparece.

Agatha Christie colocou uma vítima e doze suspeitos no Expresso do Oriente em 1934 (filmado em 1974), Alfred Hitchcock fez uma passageira desaparecer entre duas paragens (The Lady Vanishes, 1938) e Andrei Konchalovsky tirou os freios a dois evadidos pelo Alasca (Runaway Train, 1985), mas Brad Anderson não merece ser mencionado na mesma lista. O realizador de Session 9 (2001) e de O Maquinista (2004) sonhava em situar uma película na linha Moscovo-Vladivostok desde que a percorreu em 1998, mas se este episódio era o que tinha em mente, a mediocridade disponibilizava-se sem sair de casa.

Depois de dedicar-se à televisão em séries como The Wire, Fringe, Masters of Terror e o sucessor Fear Itself, Anderson ignorou a claustrofobia das carruagens, espaço fechado por excelência, e centrou os eventos significativos do filme no exterior, uma Sibéria rural coberta de branco. Fita de suspense sem originalidade, intensidade ou realismo, Transiberiano não sabe o que fazer da história que não tem e emperra numa narrativa que não aproveita os elementos que descarta.

Ben Kingsley continua a colar o seu nome a projectos imprestáveis (Thunderbirds, Som do Trovão, Bloodrayne, A Última Legião e Elegia) e pela ribanceira abaixo agrega nomes como Woody Harrelson, Emily Mortimer, Thomas Kretschman e Eduardo Noriega. Neste caso, seria de Emily Mortimer que se esperava mais (e quem mais desilude), porque foi a quem deram o melhor osso para roer. Sendo a sua a personagem com mais nuances, quando o descontrolo deveria ditar-lhe as emoções (a tortura de Kate Mara), a actriz fracassa com comedimento. Aos restantes, não se lhes pede muito, e eles cumprem pela mediania; ainda assim, espanta ver Thomas Kretschman num papel tão plano.

Transiberian 2009

12 Comments:

Blogger Tiago Ramos said...

Não concordo com a tua apreciação. Transiberiano é um bom filme, com uma excelente interpretação de Emily Mortimer.

8/20/2009 10:50 AM  
Blogger Sam said...

Estive a ver o trailer do filme k disseste com o Channing Tatum (Lutador - a lei das ruas)ate gostei acho k vai ser mesmo o proximo k vou ver :P

8/20/2009 11:21 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

só se o grau de exigência for nulo...

o que é que este filme tem para ser um bom filme? a história é tudo menos original: traficantes de droga perseguidos por polícias corruptos encontram missionários ingénuos? por favor...

não digo que o filme seja mau, mas é fraco.
a parte final, então, naquele armazém e a fuga, é mesmo de quem já não sabia o que fazer ao argumento para que a coisa não ficasse por ali.

e quando o kingsley mata o ketschman mas deixa os missionários vivos... teria mais lógica matá-los com a arma do colega, assim deixou duas testemunhas vivas.

enfim, o problema é que o filme decorre sem nos puxar para dentro dele. os personagens não são interessantes, a câmara está em piloto automático e o argumentista escreveu tudo em papel higiénico enquanto fazia força.

vi os dois filmes anteriores de Anderson e não gostei deles. O Session 9 até está criticado no blog.

8/21/2009 12:02 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

já estou a sacar o da lutadora numa versão com 1h45. A ver se é melhor. Quanto ao Fighting, ainda não encontrei cópia decente.

8/21/2009 12:03 AM  
Blogger Sam said...

o fighting é muito recente, pra ja nao deve haver muita coisa.

no da lutadora depois diz o k falta, mas suspeito k seja no final...

8/21/2009 12:09 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

e tu a dares-lhe com o final. aposto que não é. o final é para ser uma surpresa. eles separaram-se, ela foi ter com os pais e ficou à deriva, ele continuou no negócio de trapaceiro e ... de repente, estão felizes e cor de rosa, bem sucedidos e a viverem juntos. é para ser uma surpresa.

eu espero que os acrescentos sejam nas lutas ou no tempo que eles passam juntos, a conhecerem-se, e talvez a explicar melhor o passado do patrão mau com a lutadora, como é que ela começou a treinar e tal.

a ver vamos. a versão que tou a tirar tem 1,32Gb, a outra só tinha 700Mb.

8/21/2009 12:15 AM  
Blogger Sam said...

vamos ver quem tem razao, olha k sou mais teimosa k tu :P
aquele final nao faz sentido, é um salto muito grande. ves e depois contas e logo tiramos as duvidas.

8/21/2009 12:20 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

fica combinado, jeitosa ;)

8/21/2009 12:32 AM  
Blogger Sam said...

ah ah, ja mudavas as lentes dos oculos :P
o jeitoso aqui es tu

8/21/2009 12:35 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

obrigado :)

cada um sabe do que gosta :)*

8/21/2009 12:36 AM  
Blogger Sam said...

claro, e eu continuo a duvidar dos teus gostos:p
da la um saltinho ao messenger, pode ser?

8/21/2009 12:38 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

só se for de fugida, porque tou cansado e a caminho da cama.

8/21/2009 12:39 AM  

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