Incendiário, de Sharon Maguire
Michelle Williams é o centro deste filme e a única coisa que o mesmo tem de inteligente. Supostamente baseado no amor de uma mãe por um filho, o filme esboroa-se a cada passo que dá, metendo o pé na poça e na argola antes de acabar por lhe dar um tiro. Uma mulher insatisfeita com o seu casamento está com o amante no momento em que explode, obra de um ataque terrorista suicida, o estádio onde o marido e o filho estão a assistir ao jogo. Culpa, histerismo e desorientação são as reacções compreensíveis, mas o enredo não se fica por aí. O amante é jornalista e tenta investigar o atentado, enquanto o responsável pela investigação, ciumento, o quer longe da viúva. Ela tenta fazer amizade com o filho do bombista e até se interpõe entre ele e os atiradores da polícia quando o miúdo é confundido com um terrorista. Se este resumo parece interessante, desiludam-se.
Com a realizadora de O Diário de Bridget Jones (2001) ao leme, a adaptação do livro de Chris Cleave de Incendiário peca pelo excesso de dramatismo e ausência de lucidez. Em 2009, um filme que comporta uma carta aberta a Osama Bin Laden onde se lê que uma criança é uma força mais poderosa do que uma bomba e que Londres já foi destruída e irá reconstruir-se quantas vezes forem precisas é uma peça autista e fora do tempo. Torna-se ridícula esta enfática responsabilização de alguém que entretanto desapareceu completamente dos media e cuja culpa no 11 de Setembro ficou tão provada quanto Saddam Hussein ter armas de destruição maciça no Iraque.
Objecto panfletário claramente mal dirigido, que parece querer invocar as perdas humanas do terrorismo a nível individual, mas nos apresenta uma protagonista totalmente desligada da realidade: o seu marido e filho morreram, mas ela não desperdiça uma lágrima pelo marido (só pelo filho); não recebe um telefonema ou visita da família ou de amigos (não tem mesmo ninguém?); não nos é dado o menor indício sobre ela ter emprego (subsistirá com a pensão do marido?); engravida do amante e tudo o que o filme nos dá é uma barriga que aumenta e um bebé que chora (o amante parece ser uma pessoa decente, mas a criança aparentemente só vai ter mãe, pois ela não o informa).
Incendiary 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
4 Comments:
O que há a lamentar no filme é que se dispersa em histórias secundárias, quando a prestação de Michelle Williams valia por si só.
Michelle está fabulosa, como rapidamente se vem tornando claro. longe vão os tempos de Dawson's Creek, em que mais suspirávamos pela actual Mrs Tom Cruise, actualmente sem carreira de que falar.
Michelle surpreendeu-me até em Deception, onde ela já contracenava com Ewan McGreggor (http://axasteoque.blogspot.com/2009/02/deception-2008-de-marcel-langenegger.html)
Incendiário foi uma desilusão, especialmente porque até tinha expectativas no início, que parecia dar numa coisa completamente diferente. Mas desde a explosão no estádio que o filme foi em queda livre.
Por menos que eu comente aqui, estou sempre a acompanhar nos feeds, rs... E como gosto demais do seu blog, deixei um selo para você lá n'O Cara da Locadora, dá uma olhada depois...
Abraços...
é caso para comentar mais, então, porque o diálogo é tão importante como os posts. há sempre coisas que ficaram por dizer ou opiniões que podem ser mais elaboradas.
o selo é sempre uma coisa engraçada, mas e pores o meu blog nos teus links, não? :P
Enviar um comentário
Links to this post:
Criar uma hiperligação
<< Home