Quinta-feira, Agosto 06, 2009

Elegia, de Isabel Coixet

A realizadora de A Minha Vida Sem Mim (2003) e de A Vida Secreta das Palavras (2005) continua demasiado complacente com o seu próprio trabalho. Sob os dilemas da intimidade e do ciúme, Isabel Coixet construiu um drama intragável e pesado, assente em interpretações maçudas e numa mise en scène inepta e autista.

Ben Kingsley é um professor universitário que seduz uma aluna, com a qual mantém uma relação assente na sexualidade, preferindo afastar-se quando ela quer apresentá-lo à família, inibido pela diferença de idades e pela entrega de sentimentos alheios ao corpo. O jogo de fobia de intimidade é partilhado por ele com uma amante de longa data, uma mulher mais próxima da sua idade e que o procura pelo mesmo fugaz objectivo. independência e liberdade são as razões apresentadas. Será uma relação uma prisão? E a exclusividade um direito ou um dever? Questões mal respondidas e até tropegamente colocadas é tudo o que Elegia tem para oferecer.

Entre as ideias mais mal construídas do filme está a de que uma mulher, prestes a fazer uma mastectomia, busque um amante de quem se separou dois anos antes e com quem não falou desde então, para que este a fotografe nas vésperas da operação, porque ele foi quem mais gostou do corpo dela. Para além de a realizadora ter sido incapaz de filmar essa adoração física, por vergonha, embaraço ou mera incompetência, também não soube imprimir a relação, enquanto durou, uma natureza especial. Assim, de forma fria, discorrem situações com as quais podemos ou não identificar-nos, mas com personagens com quem não simpatizamos.

Kingsley está feio, baixo e sisudo, pouco credível como alguém minimamente sedutor ou inteligente. Penélope Cruz é a aluna, mas mais depressa convencia como a sua mãe. Patricia Clarkson, alheia a questões de idade, está francamente deslumbrante para os seus 49 anos (à data da produção, Cruz tinha 34 anos e Kingsley 65).

Elegia baseia-se no romance Animal Moribundo, de 2001, o terceiro tomo de uma trilogia sobre as vivências de um professor incapaz de dedicar-se sentimentalmente a outrem. O seu autor, Philip Milton Roth, vencedor de um Pulitzer e de diversos prémios literários, já viu outros trabalhos levados à tela, entre os quais Culpa Humana (2003) e um episódio de Hitchcock Apresenta (1960).

Elegy 2008

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