Quarta-feira, Agosto 05, 2009

Bronson, de Nicolas Winding Refn

Filme com uma imensa força cénica, assegurada por uma frente unida de inspiração kubrikiana (o realizador Nicolas Winding Refn, da trilogia Pusher, escolheu propositadamente Larry Smith para director de fotografia, devido ao seu trabalho em Olhos Bem Fechados, de Stanley Kubrik), um jovem e carismático actor de palco (Tom Hardy treinou com o antigo mentor de Anthony Hopkins, no London Drama Center) e música clássica assente principalmente em fanfarras e orquestra.

Seguindo o percurso de vida do mais famoso prisioneiro do Reino Unido, Michael Peterson, brevemente conhecido no submundo do boxe ilegal como Charles Bronson, este relato de um caso real, narrado em primeira pessoa, pode constituir um claro estudo sobre a violência no indivíduo e a sua capacidade de distinguir entre o bem e o mal. Bronson passou 34 anos da sua vida atrás das grades (30 dos quais em solitária), onde permanece.

O filme é um misto de espectáculo de teatro, vídeo-instalação e narrativa, que recorda Laranja Mecânica (também de Kubrik) na sua abordagem à raiva em território britânico. Apesar da sua intensidade e invulgar energia, Bronson, como entretenimento, não chega a singrar. Eventualmente, apercebemo-nos de que o personagem conta o que fez e o que lhe aconteceu, mas não as suas razões. E o mais provável é que o próprio não o saiba, uma vez que os poucos lampejos de lucidez que apresenta o revelam como um idiota, uma massa de músculos disforme com um cérebro atrofiado e sociopata, sem o menor discernimento sobre os mecanismos da sociedade. A ver, para pensar.

Bronson 2009

2 Comments:

Blogger Sam said...

obrigada pelo reparo. ja passou de autor a autora =)

8/06/2009 1:30 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

eu reparo em tudo ;)

8/06/2009 1:32 AM  

Enviar um comentário

Links to this post:

Criar uma hiperligação

<< Home

hit tracker