Virtude Fácil, de Stephan Elliot
Baseado numa peça teatral de Noel Coward, Virtude Fácil é uma comédia social que põe em confronto uma jovem e glamourosa viuva americana no seio de uma velha família aristocrática britânica, após casar com o filho varão da dita família e ser vista como uma caçadora de fortunas incapaz de se comportar de acordo com os ditames da época. Entre a matriarca e a nora irão esgrimir-se diferendos a contento, até a estocada decisiva fazer sangue. Pleno de matreirice e colisões de cabeça, ânimos exaltados e uma dança entre duas serpentes, o filme não chega a inflamar, mas também não desmerece.
O papel da protagonista parece tão desajustado a Jessica Biel quanto o poio platinado que lhe plantaram na cabeça, mas sua atitude desafiadora vai-se lentamente evidenciando até se compreender que o realizador previa já esse resultado, encaminhando-nos astutamente para essa revelação mediata. Se inicialmente não a sentimos confortável na personagem, é porque a própria personagem não o está na posição em que foi colocada. Mas ambas encontram forma de crescerem e de nos presentearem com agrado.
Para quem o conhceu como Príncipe Cáspio no segundo tomo das Crónicas de Nárnia (2007), é um surpreendente Ben Barnes que se apresenta com um surpreendente à-vontade na presença de nomes bem mais sonantes do que o seu, não só irradiando mais luz do que todos eles, como até sendo capaz de cantar com voz oleada em ocasiões que enganam o improviso. Jessica Biel também se revela melodiosa em duas canções, sem falar que nádegas como as suas valorizam exponencialmente vestidos de seda. Colin Firth e Kristin Scott Thomas são meros estereótipos, ele abatido e enfadado como de costume e ela irritante como é seu figurino.
Alfred Hitchcock levou à tela uma primeira adaptação da peça em 1928, mas esse filme mudo nem sequer mereceu a menção do dramaturgo na sua auto-biografia de 1937.
Easy Virtue 2008
O Evangelho Segundo Cinéfilo
0 Comments:
Enviar um comentário
Links to this post:
Criar uma hiperligação
<< Home