Quinta-feira, Julho 02, 2009

Rebeldes do Bairro, de Lexi Alexander

A primeira longa metragem de Lexi Alexander surgiu após uma curta sobre boxe e anúncios desportivos seus terem sido premiados. Esta ex-campeã alemã de kickboxing vendeu o argumento à Odd Lot e fez figas para que lhe dessem a realização, o que veio a concretizar-se meses mais tarde. Em vez de desporto, aqui o tema é a violência das claques de futebol inglesas e o hooliganismo como ponto de honra.

Segundo Alexander, essa violência não passa sequer pelo apoio à equipa respectiva, mas por bairrismo agressivo puro e simples, uma espécie de Fight Club institucionalizado para grupos. Em dias de jogo, os membros da claque preparam-se para o confronto, que pode inclusivamente chegar antes da partida. É um sentido de hegemonia animal, uma vontade de andar à pancada e poder gabar-se no bar local que o sangue jorrou mais do outro lado, preferencialmente quando se encontravam em minoria numérica.

Apesar da fraca originalidade da história, que vai beber demasiado (e sem autorização) ao conto semi-autobiográfico The Gang, de Harlan Ellison, Rebeldes do Bairro aguenta-se como uma história de lealdades e traições de telenovela, com a consistência de uma pluma e sobrevivendo ao grande amadorismo na filmagem dos confrontos, onde se nota que praticamente todos os golpes são dados a uma distância segura do agredido. Isso dirá muito sobre a competência do personal trainer Pat E. Johnson, que supostamente terá coreografado as cenas e treinado os actores. Os personagens são tratados com profundidade suficiente para que o companheirismo não seja forçado e as emoções soem verdadeiras e os actores deixam transparecer essa naturalidade, especialmente Charlie Hunnam. Elijah Wood não desmerece e Claire Forlani é sempre uma presença bem vinda.

Um suposto ode à violência que resulta em cautionary tale (a advertir contra o mais básico instinto de superioridade pela força) e termina com a ideia de que se deve nivelar a racionalidade com uma dose medida de agressividade, Rebeldes do Bairro preparou o terreno para que Lexi Alexander realizasse em 2008 uma reimaginação de The Punisher, o mais negro vigilante da Marvel (com resultados insatisfatórios, mas não foi uma produção livre de atritos).

Green Street Hooligans 2005

2 Comments:

Blogger Filipe Machado said...

Muito sinceramente, nunca esteve nos meus planos ver este filme. A premissa não me interessa minimamente...

7/04/2009 1:13 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

o filme vê-se bastante bem, é uma máquina oleada. pouco original e sem novidades, mas entretém.

claro que, num tema como o hooliganismo, considerá-lo um mero exercício próximo do neonazismo será talvez redutor.

7/06/2009 1:21 AM  

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