WAZ – Instinto Mortal, de Tom Shankland
WAZ é um thriller policial do estreante britânico Tom Shankland, passado em Nova Iorque mas filmado nas ruas de Belfast, exclusivamente com câmaras digitais HD ao ombro. A abertura prenunciava algo visualmente ambicioso que não vem a confirmar-se, não por falta de criatividade do director de fotografia Morton Soborg (que exagera, ainda assim, no filtro verde), mas por causa do guião de Clive Bradley, cuja inspiração não passava de uma ideia (minimamente) interessante que não soube desenvolver.
Imerecidamente comparado a Se7en (1995) e a Saw (2005), WAZ retira o seu título à conclusão Darwiniana segundo a qual não se verifica amor nem egoísmo na natureza, mas apenas a necessidade de sobrevivência dos genes. As vítimas são sujeitas a tortura e os cadáveres abandonados com a equação talhada no abdómen, dando início a uma investigação que acaba por ter um único suspeito, de quem o detective sénior desconfia antes que seja produzida a menor prova, sendo que esta surge em quantidades indesmentíveis numa breve revista (ilegal) à sua casa. Percebe-se a existência de crispação e falta de diálogo dentro do corpo policial, o que deveria somar desconfiança interna ao enredo, mas esse sentimento é aproveitado de forma trôpega e dilui-se no meio das inconsistências. Porque têm as vítimas a fórmula WAZ talhada na barriga? Porque é que uns têm mais etapas da equação do que outros? Porque é que os dois primeiros pares de vítimas surgem mortos e no terceiro e quarto pares só um é morto? Não, não faz sentido.
Há demasiados elementos que não convencem. O que é pena, porque o filme é agressivamente negro, dotado de uma fotografia original, com banda sonora de David Julyan e ainda tem a seu favor as representações de um elenco consistente: Stellan Skarsgard, Melissa George, Selma Blair e Sally Hawkins (num papel muito secundário, mas a preparar terreno para Gone Baby Gone e Um Dia De Cada Vez). Contudo, a premissa sai afectada por diversas sucessões de eventos irrealistas, a exemplo: a drogada que corre atrás de um filho que não sabe onde está e vai parar directamente à furgoneta da assassina; a gang que espera que os detectives interroguem uma vítima para a matarem de seguida, com o conhecimento e inacção dos mesmos.
Na cena climática, durante a qual o detective sénior (Stellan Skarsgard) teria de tomar uma decisão emocionalmente dilacerante, em vez de ser tratada de modo intenso e chocante, é praticamente melancólica. WAZ é, por estas e por outras, uma brutal desilusão. E não especialmente brutal.
WAZ 2007
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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