Sábado, Junho 06, 2009

Star Trek, de J.J. Abrams

O 11º filme da franchise Star Trek corresponde a um reboot da saga, envolvendo viagens no tempo, estratagema que funciona para estabelecer o elenco rejuvenescido e manter os nomes dos personagens originais. Convidados em 2005 para fazerem o mesmo disco tocar uma canção actualizada, os argumentistas Alex Kurtzman e Roberto Orci (que já tinham trabalhado juntos em A Lenda de Zorro e Transformers) mantiveram o esqueleto da Enterprise e deram-lhe vestimentas novas. Sendo Orci co-criador da série Fringe e argumentista de Alias, nada mais óbvio do que solicitar a J.J. Abrams a produção (e mais tarde a realização) do projecto.
Entre 1966 e 1969, a série original de Gene Roddenberry teve apenas três temporadas de sucesso moderado (as re-runs em sindicância e a venda da série para 60 países provou-se um indicador favorável), e apenas dez anos depois chegou às salas a primeira longa-metragem, após Guerra das Estrelas e Encontros Imediatos de Terceiro Grau (ambos de 1977) terem provado o êxito do género nas bilheteiras. A maior crítica que o filme de Robert Wise sofreu foi um compasso lento, mais próximo de 2001 Odisseia no Espaço do que de uma aventura intergaláctica, crítica que não poderá ser estendida à nova versão de J.J. Abrams, que nada tem de contemplativo. Aliás, é o próprio realizador quem indica sempre ter sido mais fã de Star Wars do que de Star Trek.
Dinâmica e emocionante, a nova versão não se limita a reciclar. J.J. Abrams já compreendeu não ter o toque de Midas e que os seus projectos podem singrar ou fracassar, pelo que não correu riscos e eliminou o cérebro da equação. Assim, assiste-se a um espectáculo de entretenimento puro, sempre a apontar para diante e sem olhar para trás, mesmo quando os diálogos são estarrecedores (Kirk a tentar obter uma reacção de Spock e retirar-lhe o comando) e as explicações não convencem (o que demorou alguns segundos a Spock Prime correspondeu a 25 anos para Nero). História de vingança pura e simples, permite a Kirk e a Spock aguçarem o dente contra o mesmo vilão. A Industrial Light And Magic e a Digital Domain trataram dos efeitos especiais. Mas que obsessão é essa com luzes e reflexos?
Chris Pine veste o fato de James T. Kirk, Zachary Quinto adorna-se com as orelhas de Spock e Zoe Saldaña ajusta a mini-saia de Nyota Uhura. Eric Bana é o vilão, que se estabelece como alien mais pelas tatuagens no rosto do que pela maquilhagem, de modo ainda mais incompetente do que Dark Maul no Episódio I da Guerra das Estrelas. Leonard Nimoy dispensa introduções ao reprisar o seu icónico papel, tendo William Shatner sido convidado para um pequeno cameo, entretanto descartado pela sede de tempo de antena manifestada pelo descartável actor.
A banda sonora é de Michael Giacchino, colaborador fixo de J.J. Abrams (Alias, Lost, Fringe, M:I 3) que se segue a Alexander Courage, (série), e a Jerry Goldsmith (cinema).
Star Trek 2009

4 Comments:

Blogger Filipe Assis said...

Ricardo, ainda não vi este filme nem conheço nada da saga Star Trek. Mas estou curioso. Guardo as melhores recomendações. A ver se ainda vou ao cinema!

Cumps.
Filipe Assis
CINEROAD – A Estrada do Cinema

6/06/2009 8:12 PM  
Blogger Filipe Machado said...

Não chegeui a vê-lo nas salas de cinema... Aqui nos Açores já não está em exibição. Mas quero visioná-lo o quanto antes!

6/07/2009 5:06 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

atenção, não é nenhuma obra prima, é apenas entretenimento divertido e bem feito.

ninguém morre se não vir este filme :)

6/08/2009 12:39 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

Caro Filipe Assis,

a saga star trek tem muito o que se lhe diga, mas ne por isso é grande coisa. há quem goste muito (chamam-lhes trekkies) e quem saiba peneirar a qualidade e ver que ficou muito pouco em cima da peneira.

este novo filme é interessante porque não é preciso ter visto nenhum filme anterior da saga para o percebermos. há algumas piscadelas de olho e as nacionalidades dos personagens foram mantidas (a negra, o asiático, o escocês), mas isso é tudo. o resto é tábua rasa onde se escreve o que se quiser. um spock que sucumbe às emoções e até consegue apaixonar-se sem ser pela lógica, um kirk dado a sarilhos, etc.
é um filme de acção. Naves, lasers e porrada. Mais não tem. Talvez uma pitada de humor.

6/08/2009 12:51 PM  

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