
O 11º filme da
franchise Star Trek corresponde a um
reboot da saga, envolvendo viagens no tempo, estratagema que funciona para estabelecer o elenco rejuvenescido e manter os nomes dos personagens originais. Convidados em 2005 para fazerem o mesmo disco tocar uma canção actualizada, os argumentistas Alex Kurtzman e Roberto Orci (que já tinham trabalhado juntos em
A Lenda de Zorro e
Transformers) mantiveram o esqueleto da Enterprise e deram-lhe vestimentas novas. Sendo Orci co-criador da série
Fringe e argumentista de
Alias, nada mais óbvio do que solicitar a J.J. Abrams a produção (e mais tarde a realização) do projecto.

Entre 1966 e 1969, a série original de Gene Roddenberry teve apenas três temporadas de sucesso moderado (as
re-runs em sindicância e a venda da série para 60 países provou-se um indicador favorável), e apenas dez anos depois chegou às salas a primeira longa-metragem, após
Guerra das Estrelas e
Encontros Imediatos de Terceiro Grau (ambos de 1977) terem provado o êxito do género nas bilheteiras. A maior crítica que o filme de Robert Wise sofreu foi um compasso lento, mais próximo de
2001 Odisseia no Espaço do que de uma aventura intergaláctica, crítica que não poderá ser estendida à nova versão de J.J. Abrams, que nada tem de contemplativo. Aliás, é o próprio realizador quem indica sempre ter sido mais fã de
Star Wars do que de
Star Trek.

Dinâmica e emocionante, a nova versão não se limita a reciclar. J.J. Abrams já compreendeu não ter o toque de Midas e que os seus projectos podem singrar ou fracassar, pelo que não correu riscos e eliminou o cérebro da equação. Assim, assiste-se a um espectáculo de entretenimento puro, sempre a apontar para diante e sem olhar para trás, mesmo quando os diálogos são estarrecedores (Kirk a tentar obter uma reacção de Spock e retirar-lhe o comando) e as explicações não convencem (o que demorou alguns segundos a Spock Prime correspondeu a 25 anos para Nero). História de vingança pura e simples, permite a Kirk e a Spock aguçarem o dente contra o mesmo vilão. A Industrial Light And Magic e a Digital Domain trataram dos efeitos especiais. Mas que obsessão é essa com luzes e reflexos?

Chris Pine veste o fato de James T. Kirk, Zachary Quinto adorna-se com as orelhas de Spock e Zoe Saldaña ajusta a mini-saia de Nyota Uhura. Eric Bana é o vilão, que se estabelece como
alien mais pelas tatuagens no rosto do que pela maquilhagem, de modo ainda mais incompetente do que Dark Maul no
Episódio I da Guerra das Estrelas. Leonard Nimoy dispensa introduções ao reprisar o seu icónico papel, tendo William Shatner sido convidado para um pequeno
cameo, entretanto descartado pela sede de tempo de antena manifestada pelo descartável actor.

A banda sonora é de Michael Giacchino, colaborador fixo de J.J. Abrams (
Alias, Lost, Fringe, M:I 3) que se segue a Alexander Courage, (série), e a Jerry Goldsmith (cinema).
Star Trek 2009
4 Comments:
Ricardo, ainda não vi este filme nem conheço nada da saga Star Trek. Mas estou curioso. Guardo as melhores recomendações. A ver se ainda vou ao cinema!
Cumps.
Filipe Assis
CINEROAD – A Estrada do Cinema
Não chegeui a vê-lo nas salas de cinema... Aqui nos Açores já não está em exibição. Mas quero visioná-lo o quanto antes!
atenção, não é nenhuma obra prima, é apenas entretenimento divertido e bem feito.
ninguém morre se não vir este filme :)
Caro Filipe Assis,
a saga star trek tem muito o que se lhe diga, mas ne por isso é grande coisa. há quem goste muito (chamam-lhes trekkies) e quem saiba peneirar a qualidade e ver que ficou muito pouco em cima da peneira.
este novo filme é interessante porque não é preciso ter visto nenhum filme anterior da saga para o percebermos. há algumas piscadelas de olho e as nacionalidades dos personagens foram mantidas (a negra, o asiático, o escocês), mas isso é tudo. o resto é tábua rasa onde se escreve o que se quiser. um spock que sucumbe às emoções e até consegue apaixonar-se sem ser pela lógica, um kirk dado a sarilhos, etc.
é um filme de acção. Naves, lasers e porrada. Mais não tem. Talvez uma pitada de humor.
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