Terça-feira, Junho 09, 2009

Os Crimes de Oxford, de Alex de la Iglesia

Jorge Guerricaechevarría já acompanha Alex de la Iglesia desde 1991, com a curta metragem Mirindas Assassinas. Desde então, o argumentista tem-se sentado com o realizador para darem luz a O Dia da Besta (1995), Perdita Durango (1997), Mortos de Riso (1999), A Comunidade (2000), 800 Balas (2002) e Crime Perfeito (2004). Carne Trémula, de Almodovar, também tem guião de Guerricaechevarría.

Como que imbuídos da missão de fazerem um filme onde não se revissem, Iglesia e Guerricaechevarría construíram um mistério onde nada colocaram de si próprios, abstraindo-se da sua essência e focando-se num imaginário que lhes é alheio. Matemáticas e raciocínios esotéricos, uma pitada de filosofia e os fartos seios de Leonor Watling para não ser tudo maçador, Os Crimes de Oxford é um pálido sucessor dos mistérios de Agatha Christie, descarnado do humor corrosivo dos anteriores filmes de Iglesia. John Hurt é um excelente orador, mas são demasiados os diálogos exortados em fina verborreia, mais próxima da literatura do que do trato social. Verdade seja dita, o filme baseia-se num premiado livro do matemático argentino Guillermo Martínez, mas borra a pintura ao misturar na mesma paleta o Paradoxo de Wittgenstein, o Princípio da Incerteza de Heisenberg, o Teorema de Godel, a Vesica Piscis, a Conjectura de Taniyama e o último Teorema de Format, tudo de forma pouco criteriosa.

Se John Hurt foi uma óptima escolha (Michael Caine e Jeremy Irons recusaram o papel) e Leonor Watling nunca poderia deixar de sê-lo, Elijah Wood está no filme errado. Não porque não tenha cara de estudante em plena tese e em busca de aceitação por parte de um escolástico de respeito, mas porque a realidade provaria uma impossibilidade que duas mulheres bonitas o desejassem injustificadamente e ele não se questionasse sobre esse claro efeito Axe. Gael Garcia Bernal, a primeira escolha do realizador, teria sido mais acertada.

O que pode dizer-se desta incursão num território desconhecido, por parte de uma equipa tão habituada ao humor negro? Que há frieza suficiente no ar para se reconhecer o espírito universitário britânico, que o filtro verde é usado em demasia (para isso já bastavam os olhos de Elijah Wood) e que a história não convence. Iglesia esperneia por dar frescura a um material insosso, mas há demasiada manipulação para que as peças caiam onde devem. O produto final é agradável à vista, mas soa forçado ao intelecto.

Los Crimenes de Oxford 2008

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