
Melanie Griffith foi, durante anos, o potentado da mulher inteligente com um enganador ar de parva, mas Renée Zellweger não é (nunca foi) uma sucessora à altura, ficando-se pelo ar de parva. Actriz sem mérito nem talento, encontrou porém um nicho em Hollywood, bairro californiano muito dado ao acolhimento de inadaptados.

Pela enésima vez às voltas com o cliché da empresária bem sucedida, mulher da grande cidade, que conhece os prazeres simples da vida quando é obrigada a deslocar-se a uma vilória,
De Malas Aviadas é em si um triste recipiente de estereótipos falhados. Da solarenga Miami para a gelada Minnesota, a executiva em busca de uma promoção vai deparar-se com habitantes caricatos, desrespeito à sua autoridade administrativa por ser mulher e o único homem remotamente atraente (Harry Cornick Jr.) é, claro, aquele com quem terá um romance.

Como comédia romântica com um pano de fundo corporativo-fabril, o romance é básico e os recursos cómicos estafados e insuficientes. O recurso ao botox, por parte de René Zellweger, não lhe aliviou as rugas mas deixou-lhe a cara feita num bolo. Não é uma visão agradável. Vê-la fazer jogging também não; em vez de correr em comprimento, fá-lo aos pulinhos.

Por um prisma que nem sequer é muito rebuscado, a história é um hino mal cantado a favor do comunismo. Senão, vejamos: confrontada com o fecho da fábrica que alimenta a maior parte das bocas da vila, toda a comunidade se junta pelo bem comum, apropria-se dos meios de produção e cria um produto seu. Uma vez que com isso enriquece a empresa, apenas assegurando os empregos mal pagos, vai ser necessário comprar a empresa aos patrões, mostrando assim a injustiça do sistema capitalista, autêntico papão de fazer dinheiro e despedir trabalhadores. É a revolução do proletariado de Karl Marx, para cúmulo passado numa fábrica.
New In Town 2009
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