Quinta-feira, Maio 21, 2009

A Um Passo do Amor, de Joel Hopkins

Se acha que não voltará a encontrar o amor depois dos cinquenta, desengane-se, Hollywood trar-lhe-á sempre a ilusão de que é possível, mesmo a pessoas amargas e desiludidas. O que terá levado Dustin Hoffman e Emma Thompson a quererem participar neste romance de cordel irá sempre ultrapassar o comum dos mortais, porque não há realmente um apelo à representação que seja palpável, na história ou nos seus papeis.

Segundo filme de Joel Hopkins (o primeiro, Jump Tomorrow, é de 2001) escreveu e realizou um romance sensaborão e previsível, a alimentar à boca duas velhas estrelas que não têm dado muito que falar. Não as sustentou, contudo, com boas cenas nem com bons diálogos, e por isso ambas parecem frementes por mais, chegando quase ao ponto do cabotinismo (o discurso dele no casamento, o monólogo dela perto do fim). E o cliché de marcarem um encontro e um deles faltar, sem meios de avisar o outro, fazendo com que este se sinta rejeitado? E porque é que ele não tentou avisá-la, se sabia onde ela trabalhava? O telefone só funcionou no dia seguinte? Lamentável.

O cenário, que poderia ter sido aproveitado para brilhar, não passa disso, uma Londres de pano de fundo. Nesse panorama pouco brilhante, fica o ponto positivo de ambos os actores se encontrarem bem conservados. Emma Thompson, mais natural do que o enfezado e hirto Dustin Hoffman, apresenta-se com bastante elegância e graciosidade nos seus 49 anos, sem tentar esconder os braços balofos ou a cintura mais pesada. A Um Passo do Amor, apesar de todos os seus defeitos, mantém-nos entretidos, sempre à espera que melhore.

Last Chance Harvey 2008

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