Quinta-feira, Maio 14, 2009

Tyson, de James Toback

À falta de uma lenda condigna, documenta-se um falhado. Criança monstruosa e mimalha, a quem o boxe deu a auto estima que não tinha enquanto criança. Curiosamente, diz que era gordo, mas as fotos que nos mostra dessa época são de um miúdo magro. Dotado de um cérebro de ervilha, Mike Tyson descobriu a fama pelos punhos e achou que tinha o mundo aos seus pés. O mundo viria a mostrar-lhe o contrário.

Tyson é como assistir ao desenvolvimento de uma forma de vida inferior, de um pedaço de barro que foi moldado por diversas mãos mas nunca soube o que era ser alguém, nunca aprendeu a socializar-se. Pesado, de voz aflautada, ceceio e diástema nos dentes da frente, Mike Tyson apresenta um discurso confuso e parece severamente medicado, quase anestesiado (as filmagens decorreram durante um período de reabilitação de drogas), falando da sua vida de modo toldado, por trás de uma névoa.

Tyson segue o percurso violento do pugilista dentro e fora do ringue, passando pelo casamento turbulento com Robin Givens, a acusação de violação que o levou a três anos de prisão, a orelha de Evander Hollyfield (1997) e o discurso de desistência após a derrota com Lennox Lewis (2002). Por alguma razão, o filme tem uma memória muito selectiva. Deixa de fora o período 1985-88, durante o qual Tyson foi um herói popular, tendo entrado em anúncios da Pepsi, Nintendo e Kodak; sobre o seu casamento com Robin Givens, diz apenas que eram muito novos para casarem, mas à época do divórcio afirmou que ela o forçou a casarem forjando uma gravidez; e ignora uma segunda pena de prisão por desacatos em 1999 e os tempos na WWE.

Documentário branqueador e de qualidade televisiva, funcionará para os poucos que quisessem uma continuação ao documentário Campeão Caído, de 1993 e à dramatização com Michael Jai White no papel de Tyson, realizado por Uli Edel em 1995.

Tyson 2008

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