Dupla Sedução, de Tony Gilroy
História de agentes duplos no mundo corporativo, Dupla Sedução é mais uma oportunidade para Clive Owen brincar aos agentes secretos sem que o seu título tenha algarismos. E sabe bem voltar a vê-lo penteado, depois de passear um ninho de pássaros por A Organização, Shoot’Em Up, Os Filhos do Homem e Sin City. Depois de Closer – Perto Demais (2004), segue o alfabeto para contracenar novamente com Julia Roberts, que também está à vontade neste ambientes, depois de acompanhar George Clooney em três burlas (Ocean’s 11, 12 e 13).
Dupla Sedução é para ver na desportiva, como entretenimento puro. Vale pelos esquemas e pelo jogo de gato-e-rato entre os protagonistas. Na dupla, porém, falha qualquer coisa. Apesar de serem o par romântico de serviço, ela aprece sempre pronta a entalá-lo, nem que seja como mero exercício; é verdade que, com isso, consegue manter-nos sempre na dúvida em relação às suas intenções, mas desequilibra desnecessariamente a relação. Quanto ao ritmo, é rápido, expedito e cheio de flashbacks para nos rasteirar. Uma espécie de Mr e Mrs Smith, mas ao contrário: não são casados e sabem que são ambos espiões, mas estão constantemente do outro lado das barricada, a dar-se facadas. O final é inesperado, como convém, uma cereja no topo do bolo. O filme inteiro a duvidarem da lealdade um do outro e afinal...
Tony Gilroy, argumentista da trilogia de Bourne (Identidade, Supremacia e Ultimato, 2002-2004-2007), Advogado do Diabo (1997) e Armageddon (1998), dirigiu o seu primeiro filme em 2007 (Michael Clayton) e viu-o obter sete nomeações nos Óscares de 2008 (Tilda Swinton ganhou a estatueta de Melhor Actriz Secundária). Não era um filme de especial mérito, mas garantiu-lhe continuidade. Por alguma razão, Dupla Sedução não teve grande aceitação nas bilheteiras.
A música de James Newton Howard é absolutamente fabulosa, a garantir-lhe um lugar no panteão dos mais originais compositores desde os anos 80 (e está ainda melhor desde que começou a dar descanso à secção de metais estridentes da orquestra, já em pleno século XXI).
Duplicity 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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