Dragonball: Evolução, de James Wong
Fenómeno que dura há um quarto de século, Dragonball começou como uma manga shonen de Akira Toriyama, que tomou liberdades em relação ao tradicional romance chinês Viagem para Oeste, de 1590, no qual um monge budista viajava até à Índia em busca de documentos importantes da religião budista, montado num dragão e acompanhado por três discípulos. Funcionando como um livro de aventuras e uma viagem para o conhecimento, a história sobreviveu até ao presente e tem servido de inspiração a inúmeras obras (por exemplo, o filme O Reino Proibido, de 2008, com Jet Li e Jackie Chan).
Na manga e no animé, Son Goku era um órfão de 12 anos e cauda de macaco, adoptado por um velho artista marcial, que parte com uma amiga à procura das sete Esferas do Dragão, capazes de concretizar os desejos de quem as possuísse. Durante o percurso, iria lutar num Torneio de Artes Marciais, fazer amizades e enfrentar inúmeras dificuldades. A série desenvolveu dois spin offs: Dagonball Z e Dragonball GT.
Em 1989, a China produziu uma má recebida adaptação cinematográfica e Hollywood, vinte anos depois, decidiu que não iria fazer melhor. Apesar de ter Stephen Chow (Shaolin Soccer e Kung Fu Hustle) como produtor e consultor, o seu peso no produto final foi diminuto. Não conseguiu os actores que queria e as rescritas que pediu à história foram ignoradas. James Wong reviu o argumento de Ben Ramsey (The Big Hit, 1998), supostamente para o aproximar mais do conceito original, mas os ingredientes clássicos de Dragonball são poucos e amassados.
James Wong é o realizador dos filmes de terror juvenil Final Destination 1 (2000) e 3 (2006), do remake de Black Christmas - Férias Assombradas (2006) e do filme de artes marciais futuristas The One (2001). Como argumentista, escreveu para as séries 21 Jump Street, Ficheiros Secretos e Millenium. Sem nunca se ter destacado em nenhuma das funções, permanece um mistério ter-lhe sido entregue o projecto Dragonball. E lamenta-se.
Toda a magia de 46 fasciculos, três séries e quatro filmes em animé foi descarnada para dar lugar a um fio de narrativa infantil, onde as cenas e os personagens são suspensos por cuspo e a continuidade é garantida por autêntico desleixo. Dragonball Evolution é uma pincelada kitsch, com um adolescente que quer vingar a morte do avô às mãos de um demónio verde que anda atrás das sete bolas que concretizarão o seu desejo de destruir a Terra. Como Goku não passa de um pacóvio introvertido e socialmente desajustado com um cérebro de ervilha, a solução aparece do nada na forma de uma jovem com um aparelho capaz de localizar as ditas esferas. Está dado o mote.
As cenas passam de cidades futuristas para vulcões e desertos com uma prontidão debilóide, como se o mundo não passasse do conjunto de divisões de uma casa. As artes marciais, única emoção que poderia revitalizar história tão amorfa, são tratadas com uma montagem inepta e artistas trôpegos. Os actores, antevendo um fiasco descomunal, procuram divertir-se nas rodagens, que encararam como uma situação melhor do que o desemprego. Chow Yun-Fat tentou ridicularizar-se sem perder a compostura (uma verdadeira corda bamba), Emmy Rossum ficou feliz por imitar Lara Croft (se o fiasco de Poseidon não aumentou a demanda por ela, não será este papel), James Marsters passou da melena branca para a careca verde (é o Spike da série Buffy) e Justin Chatwin, como protagonista, parece demasiado compenetrado num papel tão plano.
Dragonball Evolution, para ser encarado como uma reinvenção goofy, devia ser mais overboard. Talvez assim se desculpassem os excessos da sua escrita preguiçosa e da acção medíocre. Como está, fica a meio termo entre a incompetência e a alucinação. Não vejam o próximo episódio porque eu... também não.
Spoiler: uma cena ridícula que merece menção: um grupo de rufiões ricos do liceu de Goku, numa festa cheia de gente, tentam agredi-lo com barras de ferro. Isto faz algum sentido? Agredir um miúdo enfezado, num sítio cheio de testemunhas, com barras de ferro (que naquele local parecem nascer do nada)? Há uma cena depois dos créditos que lembra a cena depois dos créditos de X Men 3.
Dragonball Evolution 2009
O Evangelho Segundo Cinéfilo
1 Comments:
Quando o filme parecia um bom filme, fui ao cinema, mas que foi a minha surpresa quando fiquei sabendo que já não estava funcionando, isso surpreendeu-me ficar tão rápido, quando vi o seu aluguel e sabia qual era o motivo da curta duração do filme em filme, muito ruim 1/10 é um pogo - 4, maus efeitos não eram tão ruim, mas poderia ser melhorado, uma vez que inicialmente mostrou uma inversão da história, Rochi professor, ele era muito Goku jovens tornam-se mono da lastima, temo eu suspensas no período da manhã e me sinto maior, muito pequeno, essa frase, o dragão Shen Long apareceu como uma pipa que era pequena, Shamcha cabelo masculino ou com mechas Sei que é uma pena que Varr, Goku menciona que Piccoro como o seu dicipulo é a haste, e Krilin que se tornaram extintas como o tecido da muito, muito mau deverdad estragou o enredo do filme eu esperava algo melhor, porque o diretor era o mesmo que fez a série, mas eu desfraudo uma vergonha vredadera se outro filme será melhor não fazer nada como um porco.
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