
Nascido em 1952, Clive Barker é romancista, argumentista, realizador e produtor de cinema. Formou-se em literatura e filosofia na Universidade (de Liverpool) mas sempre se dedicou às belas artes, tanto ilustrando os próprios livros como desenhando uma série de figuras articuladas para as colecções McFarlane (
Tortured Souls). O seu filme de estreia,
Hellraiser (1987), despoletou inúmeras sequelas e o relançamento das suas curtas metragens experimentais,
Salomé e
The Forbidden, que dirigira quando tinha 18 e 19 anos, respectivamente. A
Hellraiser seguiram-se, por mão própria,
Raças da Noite e
O Senhor das Ilusões (e
Candyman, realizado por Bernard Rose), dois flops que remeteram a um período de reflexão.

Quanto às curtas metragens, Clive Barker concebeu-as com um grupo de amigos, entre os quais se incluía Doug Bradley (que mais tarde seria
Pinhead, na saga
Hellraiser), nas traseiras de uma florista, durante a noite. Sem quaisquer conhecimentos ou experiência de mise en scéne ou iluminação, os amigos reuniam-se para jogarem com imagens e as histórias de Salomé e de Fausto, de modo tão conceptual e críptico que os enredos só seriam perceptíveis, quando muito, aos envolvidos.
Salomé não passa de um conjunto de figuras fugazes, filmadas em 8mm num preto e branco muito granulado, e
The Forbidden recorre ao negativo de um filme de 16mm para efeitos invulgares (e porque a revelação em positivo era demasiado cara), especialmente numa bem sucedida cena de autópsia, em que diversas camadas de pele e carne são retiradas de um corpo humano. A cena foi criada através da pintura de várias camadas de tinta sobre a pele do actor e a sua descolagem por camadas. O actor em questão era Pete Atkins, mais tarde argumentista de
Hellraiser 2, 3 e 4.

Surrealistas, introspectivos e crípticos, com uma clara influência de Kenneth Anger (impenetrável simbologia de ocultismo e homossexualidade velada), Ginsberg e Warhol, os dois projectos foram brevemente exibidos em
art houses e teriam caído no esquecimento se o nome do seu autor não tivesse sido catapultado pela previsão, hoje equivocada, de Stephen King, de que Clive Barker seria o futuro do Terror.
Salomé & The Forbidden 1973-1978
4 Comments:
Fizeste referência a um filme que já procuro há bastante tempo. Vi há muitos anos atrás na TV e não sabia o seu título, realizador ou interpretes. Raças da Noite, será que está editado em Portugal?
Lembro-me de haver uma edição em VHS no meu clube de vídeo, nos anos 90, mas não encontrei nada que indicasse uma edição legendada em português em DVD.
O filme foi um grande flop, por isso niinguém deve te apostado no título. E Barker é actualmente conhecido como alguém que não leva nenhum projecto até ao fim e até o seu argumento para o remake de Hellraiser foi rejeitado (o que é cómico, sendo ele o criador da ideia e dos personagens)...
Eu vi o filme no fantas e gostei bastante da 1ª parte, mas depois decai que é uma coisa estúpida. termina como uma fantochada mal dirigida. Os monstros são demasiado iluminados qando precisavam era de sombra e a história é uma tristeza. O livro, por outro lado, é fabuloso. Uma história de terror com laivos de fantasia e muito suspense. péssima adaptação
Acho o Clive Barker uma personalidade fascinante e adorei o primeiro Hellraiser. Ando à procura do jogo de computador que ele fez recentemente mas ainda não o encontrei aqui na Madeira.
Flavio
www.emma49.blogspot.com
ele é um excelente escritor de fantasia e horror, mas em termos de cinema e TV a sua personalidade deixa muito a desejar. há anos que não termina um projecto - ou é abandonado ou tiram-lho das mãos e dão a outro.
em 2006, estava todo entusiasmado com a escrita do guião do remake de hellraiser, mas a produtora Dimension não gostou e já o entregou a outros guionistas. quanto a esse projecto, também já mudou de realizadores.
Serás tu o mesmo Flávio que um dia disse que o Axasteoquê?! era «O blogue de cinema que eu gostaria de ter escrito» e depois desapareceste do mapa? O que aconteceu?
http://a-bomba.blogspot.com/2006/09/axasteoqu.html
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