Bobby Z, de John Herzfeld
Baseado num livro de 1997 de Don Winslow, este é um filme que põe o Z em Série B. Sem se perceber como John Herzfeld foi capaz de atrair um elenco que inclui Paul Walker, Lawrence Fishburne, Olivia Wilde, Keith Carradine e Bruce Dern, o realizador de 2 Days in the Valley (1996) e 15 Minutos (2001) convenceu-se de que um filme de acção sem a menor lógica ou credibilidade era o seu próximo passo.
Bobby Z, morto e substituído. Um agente do DEA tira um delinquente da prisão apenas porque é parecido com um barão da droga recentemente falecido, e pretende trocá-lo pelo seu colega, prisioneiro de um barão de droga rival. O plano corre mal (afinal, esse nem era o plano) e o delinquente dá por si infiltrado num submundo e a lutar pela própria vida. Se parece excitante, a concretização é de todo insólita.
Vou concentrar-me na fuga. Começa a cavalo e rapidamente passa a moto, mas a falta de gasolina deixa-o em campo aberto, à mercê dos mercenários que o querem capturar (mas, inadvertidamente, disparam a matar). Após matar meia dúzia deles, chega a um povoado e arranja um quarto. Ainda está em território governado pelo barão de droga, mas o carro que compra em segunda mão não é para continuar a fuga, apenas para ir ao supermercado. Quando se ausenta do quarto pela primeira vez, derreado da fuga e ferido num pé, armadilha a porta do quarto com um dispositivo explosivo que claramente não tinha forma de adquirir. E a fuga, desde o início, não a fez sozinho. Levou consigo o filho de Bobby Z, um miúdo com ar de mexicano que conheceu na véspera. E o miúdo parece querer ir com aquele desconhecido que nem aparenta ter idade para ser seu pai.
Estes são alguns pormenores flagrantes de um filme sem um único ponto favorável, filmado em 2005 mas apenas estreado em 2007, directamente para DVD. Por último, quem temos a fazer de barão de droga mexicano? O nosso Joaquim de Almeida. Já o fizera para Robert Rodriguez em Desperado (1995) e para a terceira temporada da série 24, porque não voltar a fazê-lo? Sempre é melhor do que ser apenas consultor de barão de droga, como em Perigo Imediato (1994). Continua a não se perceber uma palavra do que diz.
Life and Death of Bobby Z 2007
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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