Appaloosa, de Ed Harris
Baseado no romance de Robert B. Parker, Ed Harris escreveu, produziu, protagonizou e realizou um filme de cowboys sólido e bem compassado. Appaloosa é um western fora de tempo, como já o fora Silverado em 1985, Danças Com Lobos em 1987 e Imperdoável em 1992. Grandes nomes se fizeram nessas pradarias, como John Wayne, Gary Cooper e Richard Wydmark. O último a cavalgar altivo foi Clint Eastwood, cavaleiro solitário, ao contrário dos outros, rancheiros ou xerifes. Em 1977, Charles Bronson era já um pistoleiro cansado e de óculos (White Buffalo) e nem o brat pack de Jovens Pistoleiros (1988) conseguiu erguer o género na década seguinte (Jovens Pistoleiros II, 1990). Sharon Stone foi das últimas anedotas a comer terra e pólvora (Rápida e Mortal, 1995), mas Will Smith não lhe quis ficar atrás (Wild Wild West, 1999).
É por isso com estranheza que cumprimentamos o par de viajantes que chega montado a Appaloosa, pronto a trazer a lei a uma pequena cidade perdida no Oeste. Ed Harris realiza com paciência, sabedoria e naturalidade, apenas se esquecendo de lhe juntar intensidade. Parece que as contrariedades são ultrapassadas com demasiada leveza, quase um encolher de ombros, tudo correrá pelo melhor. E, na verdade, corre. É um filme que se vê com gosto, de uma penada.
Ao lado de Harris segue Viggo Mortensen (que dispensa apresentações desde O Senhor dos Anéis e as duas últimas películas de David Cronenberg), mas são também dignos de menção o sempre excelente Jeremy Irons (apesar das atrozes escolhas cinematográficas que fez nos últimos dez anos: O Homem da Máscara de Ferro, Masmorras e Dragões, O 4º Anjo, A Máquina do Tempo e Eragon) e um Lance Henriksen que descobrimos ainda estar vivo. Renée Zellweger substituiu Diane Lane no principal papel feminino, mas é impossível não reparar em Ariadna Gil (Viggo Mortensen contracenou com ela em Alatriste, tendo ambos namorado em 2006). Jeff Beal, autor da banda sonora, já compusera para o anterior filme de Ed Harris, Pollock.
No Velho Oeste, os homens são como lobos e as mulheres como víboras, mas não há nada que não se consiga com um bom Colt e uma flauta. Que o diga Ed Harris.
Appaloosa 2008
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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