Sábado, Abril 11, 2009

Two Lane Blacktop, de Monte Hellman

História de um par de homens que percorrem os EUA num Chevrolet 1955 modificado, provocando corridas por dinheiro. Os únicos outros personagens do filme são uma rapariga a quem dão boleia e os acompanha, tornando-se amante casual de um deles, e um condutor rival, que conduz um Pontiac GTO 1970 amarelo que cobiçam.
Com poucos e mal articulados diálogos, este filme que pretendia rivalizar com Easy Rider no género que se convencionou chamar de western existencial (road movie não tem a mesma sonoridade) não passa do mais completo marasmo, com personagens sonâmbulas, perdidas como autómatos. Ao contrário de Easy Rider, assiste-se com enfado a estas almas errantes, que redefinem as suas vidas pelos carros que conduzem, mas que, se quer fazer-se crer que percebem de mecânica, o máximo que os ouvimos dizer nesse sentido é «vou examinar as válvulas» ou «é preciso substituir o carburador». A viagem de Easy Rider era recreativa, mas aqui assenta num meio de subsistência, apesar do que as corridas são filmadas distraidamente e o desfecho delas é pura e simplesmente ocultado, como se irrelevante. Gritante é a ausência de comentário social, que alguns parecem encontrar numa tal de introspecção hipnótica, sobre a ausência de destino numa realidade culturalmente em mudança. É o que acima descrevi como marasmo.
James Taylor e Dennis Wilson são os protagonistas, na sua única participação na sétima arte. O primeiro é cantor/liricista (à época a namorar com Joni Mitchell) e o segundo o baterista dos Beach Boys. Laurie Bird estreou-se neste filme, tendo apenas entrado em mais dois antes de suicidar-se em 1979 em casa de Art Garfunkel (fez de namorada de Paul Simon em Annie Hall, 1977). Warren Oates, o actor preferido de Sam Peckimpah, tem a única representação aceitável do filme. Harry Dean Stanton (Paris Texas, 1984), a assinar H.D.Stanton, faz um curto episódio como cowboy gay à boleia.

Monte Hellman, que acumulou as tarefas de realizador e editor, era um protegido de Roger Corman, com o qual filmou regularmente (muitas vezes sem ser creditado). O artifício de que mais se socorreu neste filme foi filmar a estrada através do assento de trás do Chevy 55. Parte do elenco fizeram também Jaclyn e Melissa Hellman, respectivamente mulher e filha do realizador. O fracasso comercial de Two Lane Blacktop remeteu Monte para a obscuridade, mas é de referir que Quentin Tarantino o tinha escolhido para dirigir Cães Danados, até se aperceber de que podia fazê-lo sozinho (Hellman mantém um crédito de produtor executivo).


Two Lane Blacktop 1971

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