Quarta-feira, Abril 22, 2009

Outlander – A Vingança, de Howard McCain

Vikings contra Aliens na Idade do Ferro. Outlander esteve para ser filmado na Nova Zelândia e ter os efeitos especiais contratados à Weeta (Óscar de F/X pela trilogia Senhor dos Anéis), mas a perda de financiamento levou ao afastamento de Renny Harlin e à subsequente subida do argumentista a realizador.

Outlander assenta numa premissa básica de David contra Golias, mas esgota toda a originalidade em dez minutos. Uma nave espacial despenha nos fiordes noruegueses e o sobrevivente, sem tecnologia nem armas avançadas, tem de ajudar o reino próximo (um pequeno povoado fortificado com toros de madeira) a derrotar o monstro que vinha na mesma nave e que entretanto cria a devastação. Munidos de espadas e lanças, os vikings enfrentam uma criatura gigante, veloz, que dispara raios de luz e em cuja couraça se partem espadas como palitos. Como vencê-lo é impossível, o enredo rabia mas nunca se torna satisfatório. Em vez de matar todos os vikings de uma vez (como aparentemente podia fazer sem o menor esforço), o monstro faz investidas parciais, cai numa armadilha demasiado óbvia (se já por duas vezes saltara os muros, porque haveria de ir pelos portões na noite da armadilha?) e finalmente deixa-se derrotar porque os créditos finais estavam fartos de esperar.

Comercializado como uma espécie de AVP, Outlander é daqueles filmes que só poderia funcionar visualmente, mas os efeitos especiais pedestres, a falta de um actor à altura (Jim Caviezel não é nenhum Vin Diesel – em Pitch Black (1999), Diesel fazia o mesmo com muito mais panache) e de um realizador capaz de transcender as falhas do guião atiram estes vikings para o mesmo refugo que O Último Viking (1999) e Pathfinder – O Guerreiro do Novo Mundo (2007). Pelo menos, nesses dois filmes, os nórdicos eram figuras imponentes, muito mais altos do que António Banderas ou do que os índios norte americanos, mas em Outlander nem para isso houve orçamento (tirando dois ou três figurantes, apenas a cabeça de Ron Perlman fica acima das restantes).

Entre os piores momentos do filme, contam-se: a armadilha levaria muito mais tempo a montar do que um dia – mesmo assim, porque é que o monstro espera pacientemente, em vez de apanhar todos os humanos distraídos? No clímax, o monstro pesadíssimo fica suspenso de um abismo agarrado ao braço de um homem (como se um penedo de várias toneladas não arrancasse imediatamente o braço ao homem). Por último, seria necessário reconhecer nomes como Boromir (Senhor dos Aneis, 2001) e Rothgar (Beowulf, 2007)?

Outlander 2008

1 Comments:

Blogger Bormaister said...

falou tudo!

5/25/2009 2:20 AM  

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