Valquíria, de Bryan Singer
Tom Cruise regressa com o que poderá ser facilmente confundido com um Missão:Impossível 4 retro. Reconstitui-se em Valquíria a 15ª conspiração para matar Adolph Hitler, conduzida em 20 de Julho de 1944, mas o alvo podia ser outro vilão qualquer. A reconstituição histórica resume-se a uniformes engomados e suásticas, a motivação é subentendida e a trama despachada como chão que se varre para baixo do tapete.
É de tal modo gritante a ausência de sotaque alemão por parte de todos os actores anglo-saxónicos que interpretam nazis (David Bamber, no papel de Hitler, é a única excepção), que a sensação que perdura é a de um ensaio para um filme cujas filmagens ainda não se iniciaram. Como objecto final, esta aposta é totalmente descabida.
Bryan Singer pegou nos X Men e no Super-homem sem ser fã de super-heróis e aqui percebe-se a mesma ignorância face ao contexto histórico (ele diz que leu o livro Ascenção e Queda do III Reich, de William Shirer, mas deve ter sido na diagonal). O argumento de Christopher McQuarrie (que já trabalhara com o realizador em Suspeitos do Costume) é pragmático e prende-se com pouco mais do que a missão de golpe de Estado. Tom Cruise aceitou protagonizar após ver semelhanças entre a fisionomia do Coronel von Stauffenberg e a sua.
Composto e montado por John Ottman (que já cumprira ambas funções para Singer em Suspeitos do Costume e X Men 2), Valquíria é um filme fechado, modesto e pobre em sensações. A composição de Tom Cruise é demasiado contida e as restantes (de Bill Nighy, Tom Wilkinson ou Kenneth Branagh) pouco juntam à festa. Não foi só o complot de golpe de Estado que falhou, foram também as opções estéticas e narrativas de Brian Singer, demasiado serôdias e afectadas.
Valkyrie 2008
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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