K-19: The Widowmaker, de Kathryn Bigelow
O que terá possuído Kathryn Bigelow a dirigir este pastelão dos tempos da guerra fria permanecerá para sempre um mistério, e nem uma rescrita ao argumento por parte de Tom Stoppard (A Paixão de Shakespeare, Império do Sol, Brazil) evitou o desastre. O sotaque russo de Harrison Ford, a vir à superfície apenas quando calhava, também não ajudou.
Em 1961, o submarino que iria incutir medo ao ocidente estava condenado desde o início. Antes mesmo de mergulhar pela primeira vez, já tinha causado a morte de 10 marinheiros e a garrafa de champanhe da inauguração resvalou no costado em vez de partir. Com uma estreia apressada por Moscovo e a necessitar de testes e reparações, o submarino lançou-se ao mar com um capitão que ainda não ganhara o respeito da tripulação. Apelidado de O Enviuvador no filme (a verdadeira alcunha era Hiroshima), K-19 não é trágico nem aventureiro e os poucos instantes de bravura afogam-se num mar de tédio.
Das Boot (1981) tem estatuto de obra-prima, mas Hollywood só tem produzido versões de água doce. A Caça ao Outubro Vermelho (1990) foi dos poucos que se manteve à tona, mas Maré Vermelha (1995) e U-571 (2000) viraram. Os filmes passados em submarinos são constituídos por um elenco exclusivamente masculino, apostam na claustrofobia, em reparações que fazem vítimas e esforçam-se por encontrar desavenças entre o comandante e o imediato. K-19 não é excepção, mas a fricção criada entre Harrison Ford e Liam Neeson não faz chama. O filme é tão penoso quanto as duvidosas questões políticas que aparecem por baixo do tapete, fazendo questionar a intenção de uma realizadora americana num submarino russo, com uma tripulação entregue à sua sorte pelo governo soviético e acusada de traidora por fazer tudo ao seu alcance por salvar a vida.
Kathryn Bigelow foi casada com James Cameron entre 1989 e 1991, mas já antes disso ele realizara O Abismo (1986), recriando as profundezas em estúdio, com miniaturas e sem água, apresentando muito melhores resultados do que o CGI embaraçoso de K-19.
Querendo ser uma experiência de coragem e sacrifício, K-19 não passa de uma morte lenta e agonizante, com uma pitada de propaganda anti-soviética à mistura. Considerada uma realizadora em ascensão em 1987 (Near Dark), Kathryn Bigelow dirigiria um dos melhores filmes de acção de sempre (Ruptura Explosiva) em 1991 e um ambicioso mas fracassado nas bilheteiras policial futurista em 1995 (Strange Days), mas já dera um passo em falso em 1989 (Blue Steel), perderia para Luc Besson a corrida a Joana D’Arc (1999) e só em 2008 voltaria a surpreender com Estado de Guerra (2008). K-19, em 2002, ficou a ver navios.
K-19 The Widowmaker 2002


5 Comments:
Lembro-me de ter visto este filme há uns anos atrás. Fiquei com uma boa impressão. Tenho de o rever para aferir melhor a minha apreciação.
é um filme demasiado mortiço e nada de muito relevante acontece. OK, há 8 mortos por radiação quando tentam arranjar o reactor, mas é um bocado igual ao litro, porque são figurantes e ninguém se rala com figurantes.
entre o liam e o harrison há uma fricçãozita, mas o liam podia ter aproveitado mais e limitou-se a baixar a cabeça. falta tensão.
e uma americana a fazer um filme com russos coitadinhos obrigados a mergulhar num submarino que precisa de testes e reparações e ainda são acusados de traição pelo Politburo por tentarem salvar a vida deixa a pulga atrás da orelha ...
Tipow eu naum entendi quase nada e só assisti por causa de um trabalho..mas mesmo assim e filme eh muito bom!!!
Onde eu baixo esse filme??????
preciso com mta urgencia não achei em lugar nenhum
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