Gran Torino, de Clint Eastwood
É impossível não nos questionarmos até que ponto é que Clint Eastwood se quer levar a sério neste filme. Visualmente, ele parece tão frágil que uma rajada de vento faria com que nunca mais o víssemos e os únicos actos de bravura, coragem ou capacidade de resposta a que alude passaram-se há sessenta anos, na guerra da Coreia. Para além disso, a história não podia ser menos original. Um menino atinado (ainda que mais pareça mongolóide) de uma minoria étnica é aliciado pela gang local e Clint é o homem (leia-se velho) indicado para limpar a rua.
Argumento típico de filmes da década de 70, a piscar o olho ao seu congénere Charles Bronson enquanto vigilante de serviço. É difícil engoli-lo neste personagem, independentemente do seu historial de pistoleiro implacável. De recordar que já em Imperdoável (1992), ele estava fisicamente ultrapassado e os seus tempos de Sargento de Ferro (1986) tinham ficado para trás.
Ainda assim, é notória a capacidade do actor em ganhar o nosso coração com papéis de evidente misantropia, capaz de nos arrancar gargalhadas sem esforço, e enquanto realizador conduz-se com simplicidade, sensibilidade e desenvoltura. Tendo já afirmado que este foi o seu último filme como actor, é também o mais lucrativo da sua carreira.
Gran Torino 2008
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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