A Companhia, de Robert Altman
Cenas soltas com uma companhia de bailado por pano de fundo. Uma manta de retalhos é o método típico de Robert Altman, mas o génio não cai do céu e um filme feito de ar não tem consistência. Sem desenvolvimento narrativo nem espaço para as personagens desabrocharem, fica a revoltante sensação de que se aproveitaram avulsas filmagens casuais de um documentário abandonado e se soprou a roda de modo a dar-lhes movimento.
Neve Campbell, actriz de Adultos À Força (série que durou de 1994 a 2000) e da trilogia Gritos (1996, 1997 e 2000), tinha treino em ballet clássico e trabalhou arduamente para que o filme se produzisse (a história deste filme é criação dela), mas fica por determinar a escolha da actriz/argumentista Barbara Turner para participar na escrita, já que esta desconhecia totalmente o mundo da dança. Assim como em Lost in Translation, do mesmo ano (2003), os japoneses mantiveram o seu mistério no filme de Sophia Coppolla, também os bailarinos de A Companhia permanecem extraterrestres do início ao fim.
A produção dos episódios de bailado, a cargo da Joffrey Ballet Company, é frouxa e sem energia, não funcionando como contraponto à esterilidade do resto.
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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