Sábado, Março 28, 2009

Choke – Asfixia, de Clark Gregg

Asfixia é um filme que sabe a muito pouco para quem acha que o livro sabe a muito mais. A primeira ideia a reter é que, apesar de basear-se num livro escrito por Chuck Palahniuk, o autor de Fight Club, as duas histórias nada têm a ver. Asfixia não é uma história violenta nem niilista, mas um desapaixonado drama sobre um viciado em sexo que ganha a vida com um bizarro estratagema de asfixiar com comida em restaurantes e cuida da mãe desmiolada. Por outro lado, Clark Gregg (actor secundário que aqui se estreia atrás das câmaras) não é nenhum David Fincher (e nem em Fincher se pode confiar, nestes dias de Benjamim Button).

Asfixia é demasiado indistinto. Tem traços de drama e laivos de comédia, mas fica a meio termo do seu objectivo, o qual nem chega a ser claro. O vício em sexo fica-se pela anedota e pelo cliché, o esquema da sufocação em restaurantes é risível e a complexa relação com a mãe evapora-se em confusos flashbacks. A mãe não é a verdadeira mãe? Raptou o filho de lares adoptivos uma vez ou diversas vezes? Como é que se reencontraram depois da captura que envolveu o roubo de um autocarro escolar? Mistério.

Asfixia é trapalhão na sua leveza soporífera. Não tem garra, não tem intenção, não tem identidade. Não aprofunda nenhuma das temáticas que aborda, cortando inúmeros sub-enredos do livro (desperdiça a curiosa aprendizagem de medicina do protagonista na adolescência em meia dúzia de nomes de comprimidos; ignora os beneméritos que lhe mandam dinheiro; transforma a recolha de pedras por parte do amigo num fait-divers, em vez de tratá-lo como a troca de um fetiche por outro) e aplainando os principais. E mesmo aí tropeça pela mera descrição, tornando-se um filme para se ver sem pensar, rir do que houver para rir e não esmiuçar o que não se compreende à primeira. Não há respostas para os ploholes, nem esforço nesse sentido. Falha completamente como adaptação literária, desperdiçando até a curiosa aprendizagem de medicina do protagonista na adolescência em meia dúzia de nomes de comprimidos.

As interpretações de Sam Rockwell são sempre um tour de force e aqui não é excepção, sendo a sua presença a maior delícia do filme. Angelica Houston dispensa apresentações e Kelly McDonald bem podia ter-nos dispensado da sua.

Choke 2008

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