
Woody Allen escreveu e realizou um leve fait-divers passado em Barcelona e Oviedo, juntando os espanhóis Javier Bardem e Penelope Cruz à sua mais recente musa Scarlett Johansson e introduzindo a bela Rebecca Hall no seu mundo. Infelizmente, o mundo de Woody Allen está longe de ser aquele que recordamos dos seus melhores anos e espremer esta película mais não dá do que meia dúzia de gotas de algo, na melhor das hipóteses, ameno.

É um filme etéreo e despreocupado, com dois triângulos amorosos cheios de dúvidas existenciais que não passam para o espectador, que se esquece de tudo o que viu no trajecto para casa. Javier Bardem passeia-se pelos cenários com olhos de carneiro mal morto, Scarlett Johansson está maravilhada com o seu segundo protagonismo para o outrora crânio do drama e Penélope Cruz toma de assalto o espaço que mais ninguém agarra, especialmente a confusa Rebecca Hall. Christopher Evan Welch quebra o molde do narrador entediante e emprestou vida aos tempos mortos, unindo as pontas com linha grossa mas brilhante. A banda sonora inclui peças de guitarra flamenga de Paco de Lucia, Juan Serrano e Isaac Albeniz.

A Câmara Municipal de Barcelona patrocinou o filme em 2 milhões de euros para promover o turismo local e a quantidade de cenários naturais é evidente, ainda que mal aproveitados. O único conceito de paisagem de Woddy Allen é que são coisas que ficam por trás dos actores.
Vicky Cristina Barcelona 2008
2 Comments:
Maravilhoso.
A forma como é colocado os relacionamentos, os conflitos,as dúvidas.
A personagem de Scarlett Johansson que fica numa eterna busca do seu eu, do seu lugar, do seu espaço.
A personagem de Rebecca Hall que se acomada com seu "perfeito" modus vivendi, mesmo não sendo aquilo o que é verdadeiramente desejado por ela..
O relacionamento entre os personagens de Javier Bardem e Penelope Cruz, conturbado, turbulendo e intenso.Feitos um para o outro, mas não para ficarem juntos.
**Quem assiste se indentifica com algum personagem, ou talvez com um pouquinho de todos....
há que distinguir as intenções dos resultados.
woody allen até podia querer tudo isso, mas cai por terra. a história é entediante e só quem se identificar com algum personagem pode ler nele mais do que este dá. porque aí essa pessoa estará a pôr um bocadinho de si na personagem, mas esse bocadinho não está lá, é seu e não da personagem.
o filme é maçador, um fait-divers ao sol.
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