Domingo, Fevereiro 01, 2009

Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen

Woody Allen escreveu e realizou um leve fait-divers passado em Barcelona e Oviedo, juntando os espanhóis Javier Bardem e Penelope Cruz à sua mais recente musa Scarlett Johansson e introduzindo a bela Rebecca Hall no seu mundo. Infelizmente, o mundo de Woody Allen está longe de ser aquele que recordamos dos seus melhores anos e espremer esta película mais não dá do que meia dúzia de gotas de algo, na melhor das hipóteses, ameno.
É um filme etéreo e despreocupado, com dois triângulos amorosos cheios de dúvidas existenciais que não passam para o espectador, que se esquece de tudo o que viu no trajecto para casa. Javier Bardem passeia-se pelos cenários com olhos de carneiro mal morto, Scarlett Johansson está maravilhada com o seu segundo protagonismo para o outrora crânio do drama e Penélope Cruz toma de assalto o espaço que mais ninguém agarra, especialmente a confusa Rebecca Hall. Christopher Evan Welch quebra o molde do narrador entediante e emprestou vida aos tempos mortos, unindo as pontas com linha grossa mas brilhante. A banda sonora inclui peças de guitarra flamenga de Paco de Lucia, Juan Serrano e Isaac Albeniz.
A Câmara Municipal de Barcelona patrocinou o filme em 2 milhões de euros para promover o turismo local e a quantidade de cenários naturais é evidente, ainda que mal aproveitados. O único conceito de paisagem de Woddy Allen é que são coisas que ficam por trás dos actores.
Vicky Cristina Barcelona 2008

2 Comments:

Anonymous Juliana Mattos said...

Maravilhoso.
A forma como é colocado os relacionamentos, os conflitos,as dúvidas.

A personagem de Scarlett Johansson que fica numa eterna busca do seu eu, do seu lugar, do seu espaço.

A personagem de Rebecca Hall que se acomada com seu "perfeito" modus vivendi, mesmo não sendo aquilo o que é verdadeiramente desejado por ela..

O relacionamento entre os personagens de Javier Bardem e Penelope Cruz, conturbado, turbulendo e intenso.Feitos um para o outro, mas não para ficarem juntos.

**Quem assiste se indentifica com algum personagem, ou talvez com um pouquinho de todos....

3/09/2009 7:44 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

há que distinguir as intenções dos resultados.

woody allen até podia querer tudo isso, mas cai por terra. a história é entediante e só quem se identificar com algum personagem pode ler nele mais do que este dá. porque aí essa pessoa estará a pôr um bocadinho de si na personagem, mas esse bocadinho não está lá, é seu e não da personagem.

o filme é maçador, um fait-divers ao sol.

3/09/2009 8:02 PM  

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