Quarta-feira, Fevereiro 04, 2009

A Troca, de Clint Eastwood

A história é simples e baseia-se num caso verídico, passado de 1928. Após o desaparecimento do seu filho, uma mulher vê ser-lhe restituída pela polícia uma criança que não é a sua. Apesar deste sumário ser apregoado pela promoção do estúdio, o filme de Clint Eastwood relega para segundo plano esta relação intrusa e dispara em direcções mais seguras: corrupção policial (mais preocupada em salvar face do que em admitir o erro), um reverendo justiceiro (que denuncia a dita corrupção) e uma investigação ao que aconteceu ao verdadeiro menino (os responsáveis têm de ser chamados à justiça).
Ninguém duvida dos dotes de representação de Angelina Jolie (Gia, Girl Interrupted e Um Coração Poderoso), apesar desta ser mais conhecida pelo farto busto e lábios bolbosos (Lara Croft, Mr. & Mrs Smith e Wanted). Apesar de tudo, em A Troca, Angelina Jolie desperta pouca compaixão. Obviamente que o seu filho desapareceu e ela quer encontrá-lo a todo o custo, mas o seu personagem é totalmente vazio para além dessa vontade de ferro, chegando até nós fria e imperscrutável. O que é uma triste surpresa, uma vez que Clint Eastwood é capaz de fazer chorar as pedras quando quer. Para não falar na sua obra-prima no território do melodrama (As Pontes de Madison County, 1995), foi capaz de arrancar ao canastrão Kevin Costner uma interpretação enternecedora em Um Mundo Perfeito (1993). Clint Eastwood já se espetara a dobrar em 2006, com as duas versões da batalha de Iwo Jima, mas os melhores filmes da sua carreira vêm logo atrás: Million Dollar Baby (2004) e Mystic River (2003).
A escolha de Angelina Jolie foi uma sugestão do produtor executivo Ron Howard, que a achou visualmente mais adequada para a época do que as interessadas Hilary Swank e Reese Witherspoon. Ron Howard, inclusivamente, pretendia rodar ele próprio o filme, desmarcando por conflitos de agenda. Clint Eastwood aceitou realizar no próprio dia em que leu o guião.
A Troca não é o filme tocante que se esperava. É frio, emocionalmente desligado do público, apostado mais na denúncia e na investigação que conduz aos primeiros sorrisos e à nota de esperança com que fecha. É território conhecido do cineasta, que o trata como a palma da sua mão, entre o cowboy e o detective. Mas, para alguém tão meticuloso, não consegui perceber porque nunca foi interrogada a babysitter do filho de Angelina.
Changeling 2008

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Cara, você falou uma coisa que eu não tinha pensado.
É claro que eu gostei do filme e da atuação de Angelina, mas o filme realmente me enganou um pouco.Esperava outra coisa.
Esse negócio da babysistter do menino foi uma coisa que eu não pensei. Uma grande mancada do filme.
Beijos, adoro o seu blog.

2/04/2009 1:37 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

Obrigado.

Espero que se torne follower deste blog.

2/07/2009 9:35 PM  

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