
A história é simples e baseia-se num caso verídico, passado de 1928. Após o desaparecimento do seu filho, uma mulher vê ser-lhe restituída pela polícia uma criança que não é a sua. Apesar deste sumário ser apregoado pela promoção do estúdio, o filme de Clint Eastwood relega para segundo plano esta relação intrusa e dispara em direcções mais seguras: corrupção policial (mais preocupada em salvar face do que em admitir o erro), um reverendo justiceiro (que denuncia a dita corrupção) e uma investigação ao que aconteceu ao verdadeiro menino (os responsáveis têm de ser chamados à justiça).

Ninguém duvida dos dotes de representação de Angelina Jolie
(
Gia, Girl Interrupted e
Um Coração Poderoso), apesar desta ser mais conhecida pelo farto busto e lábios bolbosos (
Lara Croft,
Mr. & Mrs Smith e Wanted). Apesar de tudo, em
A Troca, Angelina Jolie desperta pouca compaixão. Obviamente que o seu filho desapareceu e ela quer encontrá-lo a todo o custo, mas o seu personagem é totalmente vazio para além dessa vontade de ferro, chegando até nós fria e imperscrutável. O que é uma triste surpresa, uma vez que Clint Eastwood é capaz de fazer chorar as pedras quando quer. Para não falar na sua obra-prima no território do melodrama (
As Pontes de Madison County, 1995), foi capaz de arrancar ao canastrão Kevin Costner uma interpretação enternecedora em
Um Mundo Perfeito (1993). Clint Eastwood já se espetara a dobrar em 2006, com as duas versões da batalha de Iwo Jima, mas os melhores filmes da sua carreira vêm logo atrás:
Million Dollar Baby (2004) e
Mystic River (2003).

A escolha de Angelina Jolie foi uma sugestão do produtor executivo Ron Howard, que a achou visualmente mais adequada para a época do que as interessadas Hilary Swank e Reese Witherspoon. Ron Howard, inclusivamente, pretendia rodar ele próprio o filme, desmarcando por conflitos de agenda. Clint Eastwood aceitou realizar no próprio dia em que leu o guião.
A Troca não é o filme tocante que se esperava. É frio, emocionalmente desligado do público, apostado mais na denúncia e na investigação que conduz aos primeiros sorrisos e à nota de esperança com que fecha. É território conhecido do cineasta, que o trata como a palma da sua mão, entre o cowboy e o detective. Mas, para alguém tão meticuloso, não consegui perceber porque nunca foi interrogada a
babysitter do filho de Angelina.
2 Comments:
Cara, você falou uma coisa que eu não tinha pensado.
É claro que eu gostei do filme e da atuação de Angelina, mas o filme realmente me enganou um pouco.Esperava outra coisa.
Esse negócio da babysistter do menino foi uma coisa que eu não pensei. Uma grande mancada do filme.
Beijos, adoro o seu blog.
Obrigado.
Espero que se torne follower deste blog.
Enviar um comentário
Links to this post:
Criar uma hiperligação
<< Home