
Com propensão para matar actores de proa em menos de cinco minutos de tempo de antena,
Estado de Guerra é o filme que os apologistas da manutenção de tropas no Iraque estavam à espera. Entre o
western e o videojogo, desde
Cercados (Ridley Scott, 2001) que não se viam tão empolgantes investidas militares em território inimigo, com uma câmara móvel a colocar-nos tão no meio da acção e do cheiro a cordite.

Katrhryn Bigelow, que mantém o estatuto de melhor filme de acção com presidentes mortos (
Ruptura Explosiva, 1991), salta da sombra com um bang impressionante. Depois de reabilitar as histórias de vampiros (
Near Dark, 1987) e o policial no feminino (
Blue Steel, 1989), perdeu para Luc Besson na corrida a
Joana D’Arc (1999) e o seu drama
K 19 The Widowmaker (2002) remeteu a primeira mulher de James Cameron ao esquecimento. Até agora.
Estado de Guerra não questiona o envolvimento americano no conflito do Médio Oriente, centrando-se antes no ajustamento dos soldados no terreno às condições de stress a que estão sujeitos, através do dia-a-dia de uma brigada de sapadores no Iraque, para quem o desmantelamento de uma bomba pode significar a diferença entre a vida e a morte.

Ao contrário de filmes recentes cuja preocupação é a política externa (
No Vale de Elah, Stop-loss ou
Na Terra dos Bravos),
Estado de Guerra podia situar-se em qualquer arena sem quartel. A tensão e o medo são tão palpáveis como as bombas que podem explodir a qualquer instante ou as balas que podem trespassar o mais previdente. Haverá uma propensão especial para se ser herói ou apenas ter nervos de aço sem amor pela sobrevivência? O filme não responde à questão, mas ajuda a compreendê-la.

Depois de encarar zombies em
28 Semanas Depois, enfrentar iraquianos seria demasiado fácil para Jeremy Renner, que veste o fato acolchoado com capacete que não o protege das deflagrações que ele corajosamente inviabiliza. Guy Pearce, Ralph Fiennes, David Morse e Evangeline Lilly são rostos fugazes num filme coroado de sangue e suor.
6 Comments:
Considero-o já como um dos melhores de 2009 (ou 2008? não tenho certezas quanto a este ponto) e perfeitamente capaz de integrar o Top 5 dos que conseguem transpor, eficazmente, para o Cinema o actual conflito no Iraque.
Abraço.
Sam, o filme é de 2008.
É um excelente filme de acção passado num clima de guerra (ao jeito do Cercados, de Ridley Scott), mas como forma de transpor o conflito para o cinema falta-lhe o enquadramento político-social. Nesse sentido, prefiro No Vale de Elah, que nem sequer se passa no Iraque, mas dá luzes impressionantes sobre o que é sobreviver em território inimigo.
É verdade que lhe falta o enquadramento que referiste, mas julgo também não ser esse o seu objectivo.
Enquanto filme demonstrativo da vida do soldado no Iraque (através dos olhos de uma específica unidade de combate), atinge o seu "desígnio" na perfeição.
Concordo que não era o objectivo do filme, mas o facto de não dar a menor humanidade aos iraquinos, que não passam de turbantes armados, transforma a acção numa espécie de videojogo.
Pelo menos Clint Eastwood, em Cartas de Iwo Jima e As Bandeiras Dos Nossos Pais, para além das longas batalhas campais, deu enquadramento humano e político.
Assim como está, o filme é propaganda vazia pró-guerra. Muito bem feito e empolgante, mas um videojogo shoot'em up. Vamos ser cowboys e matar índios. Uma vez mais, os invasores acham-se com toda a razão ...
Embora ainda não tenha visto todos os filmes em "competição", seria desastroso que ESTADO DE GUERRA não vencesse os Óscares. A crítica tem sido quase unânime...
um filme com ano de produção de 2008 a ganhar os óscares em 2010 já tem precedente, que é o A Vida É Bela...
A regra é que o filme estreie entre o 1 de janeiro e o 31 dezembro de um ano em território americano. Talvez o Estado de Guerra só tenha estreado em janeiro 2009...
Como te disse supra, acho que o filme é um excelente filme de acção em tempo de guerra, mas falta-lhe dar também o lado iniimigo e enquadrar politicamente para ser um grande filme. O Black Hawk Dawn também é um excelente filme de acção em tempo de guerra, um shoot em up espectacular.
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