Dúvida, de John Patrick Shanley
Baseado na sua própria peça de teatro de 2004, John Patrick Shanley escreveu e realizou Dúvida, uma história passada na Nova Iorque de 1964 e que desenvolve um braço de ferro entre uma madre superiora conservadora e o padre jovem e progressista da mesma paróquia. Intransigente, ela mete na cabeça que o padre está a abusar sexualmente de um dos seus acólitos e a ausência de provas não a desmotiva na sua investigação.
Nunca chega a compreender-se de onde vem a determinação da freira; se da maldade, se de algo do seu passado que não é revelado ou se provém de uma fé inabalável na verdade tal e qual esta se lhe apresenta. Deus é um conceito que também exclui a prova como meio de confirmação. Quanto ao padre, clama a sua inocência até ao final. Culpado ou inocente, está plantada a dúvida. A juntar à festa, temos a atitude da mãe da suposta vítima, de uma frescura desconcertante, e uma curta exaltação indignada da jovem freira incumbida de desenterrar podres do padre.
No seu todo, o argumento inclui dois belos sermões, um sobre a sobre dúvida de fé e outro sobre a intolerância, e serpenteia em redor dos temas com algumas esgrimas de palavras dignas de degusto. Philip Seymour Hoffman está igual a si mesmo, não excedendo em competência, e a Meryl Streep pode fazer-se igual elogio, com a reserva feita à cena de desfecho, em que a sua mudança de atitude é tudo menos convincente, de tal modo que a câmara lhe corta a representação para manter a credibilidade. Amy Adams e Viola Davis fecham o ramalhete, sem destoarem.
Doubt 2008
O Evangelho Segundo Cinéfilo
4 Comments:
Sem dúvida, o melhor neste DÚVIDA é a exploração dos temas, como a fé e/ou os perigos do rumor infundado.
De todas as interpretações, Viola Davis é a melhor - em profundidade psicológica, em emoção e em timing.
Na minha opinião, um bom filme.
Abraço.
gostei imenso.
a viola davis está excelente, numa única cena surpreende tudo e todos.
a meryl strip não consegue mudar o figurino na cena final em que derrama umas lágrimas. e é tão evidente a inépcia que a montagem corta dela e vai centrar-se em Amy Adams ou plantar-se no topo de árvore.
O sermão sobre intolerância é excelente e as esgrimas de palavras entre o padre e a madre também.
e é um filme que nos deixa na dúvida.
Fabuloso! A interpretação da Merly Strip optima!!!!!
Olá, Maria, bem vinda ao burgo :)
uma interpretação óptima é o mínimo que se pode pedir à Meryl. infelizmente, ela não dá mais do que isso. a cena final é flagrante do fiasco que foi tentar ser sensível de repente.
ah lágrimas fatelas ...
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