Sábado, Janeiro 24, 2009

Sim, de Peyton Reed

Sim tem uma mensagem positiva e um actor totalmente desaquado para veiculá-la. Relativamente à mensagem, esta é composta por um desafio: dizer que sim a todas as propostas que nos forem feitas, por mais absurdas ou impraticáveis. É um convite a viver a vida, a arriscar e a nunca parar. Como tal, é uma crítica social ao sedentarismo, introversão e pessimismo, onde as pessoas deixaram de socializar, isolando-se em casa e rejeitando o convívio à moda antiga.
Sim baseia-se na biografia de 2005 do humorista inglês Danny Wallace sobre o período de seis meses em que disse que sim a tudo, mas o argumento do filme é completamente diferente, mantendo-se apenas a premissa-base.
Jim Carrey não tem um papel à sua medida, mas à medida dos que gostaria de saber representar. Infelizmente, o compromisso de mostrar seriedade numa comédia deixou-o bloqueado, entrecortando a sua construção de persongem adulta à Truman Show (1998) e The Majestic (2001) com espasmos de Ace Ventura e A Máscara (ambos de 1994). O facto de nunca se levar a sério carrega o seu papel de um histrionismo que não serve o personagem, tanto mais que diversas cenas foram moldadas ao seu estilo, perdendo sempre com isso.
Zooey Deschanel, tão merecidamente ridicularizada pelo seu papel comatoso em O Acontecimento (2008), ganhou vida ao lado de Jim Carrey, irradiando alguma da frescura manifestada nos tempos de Como Despachar Um Encalhado (2006). Não é desta que o realizador de Bring It On (2000), Down With Love (2003) e The Break Up (2006) surpreende, mas o filme também não é um completo fracasso. A mensagem, convém frisar para aqueles que não a tiverem entendido, não é que deve dizer-se sim a tudo, mas simplesmente não se dizer, à partida, que não. Isto é, dizer que sim apenas ao que merece. Quanto ao filme, talvez...
Yes Man 2008

3 Comments:

Blogger Filipe Machado said...

Devo dizer que possuo um estigma relativamente a este actor, fujo dele como o diabo da cruz! O único filme em que ele entrou e que eu tenho alguma consideração é o Truman Show. Fora este...

Quero dar a conhecer o meu recém-criado blog sobre cinema (http://additionalcamera@blogspot.com). Sou um amador por estas andanças, mas se lhe interessar o conteúdo do meu sítio, gostaria de receber o seu apoio para divulgá-lo, nomeadamente através da colocação de um link no blog que administra. Colocarei também o seu endereço na minha rubrica “Additional Cameras”.

O meu muito obrigado pela sua atenção!

Sem outro assunto de momento, desejo-lhe as maiores felicidades para o futuro!

Filipe Machado


P.S. – Participe na sondagem "Melhor James Bond com Sean Connery" até ao dia 31 de Janeiro 2009, em http://additionalcamera@blogspot.com.

1/24/2009 8:29 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

Caro Filipe,

Ainda que usualmente me falhe tempo até para actualizar o meu blog, dei uma espreitadela ao seu e gostei. gostei do post sobre os vencimentos em hollywood e a rejeição de spoiler, o que penso que é algo com que todos os cinéfilos concordam.

quando há cenas muito más num filme, sinto necessidade de especificá-las, mas sempre no último parágrafo da crítica e alertando para o que vem a seguir.

Boa sorte para o seu blog.

1/27/2009 1:31 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

Para além do Truman Show, não esquecer o Eternal Sunshine of the Spotless Mind, uma pequena obra-prima sobre o amor incondicional em território nonsense.

O primeiro Ace Ventura, ainda que escatológico e histriónico, é uma gargalhada só e demonstra o lado caricatural e humorístico de Carrey.

No humor hiper-depressivo, The Cable Guy é um filme com tantas leituras como uma cebola e merece mais atenção do que a que teve na altura da sua estreia.

Tirando os filmes mencionados, sim, o resto não vale nada.

1/27/2009 1:37 PM  

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