
Depois de
Uzak - Longínquo (2002) e
Climas (2006), Nuri Bilge Ceylan continua a encher o seu cinema de gente que sofre em silêncio. Uma vez mais, a história é também da sua autoria mas, ao contrário dos antecessores, o drama é-nos demasiado próximo e banal para que tanto olhar de carneiro mal morto pareça suficiente.

Promissor de início,
Os Três Macacos não ata nem desata. O que é pena, porque a primeira metade é, comparativamente, ardente, mas desagua em amena desilusão. Um motorista aceita assumir a culpa do patrão, que atropelou uma pessoa, e cumpre a pena com a promessa de que o seu ordenado seja pago à família. O futuro do filho não parece risonho e este precisa de dinheiro, pelo que a mãe vai pedir um empréstimo ao patrão do marido preso. Aqui começa um jogo cujas consequências se adivinham. A proposta final, a encerrar o círculo, é absurda, porque feita por um pé rapado, e denota as limitações da escrita de Ceylan, que afinal mais não tinha do que uma vaga ideia do que queria.

A cinematografia é de uma riqueza deslumbrante, juntando aos tons do cinema negro uma aguarela quente que afasta os contornos da realidade, em contraste com as sombras que obscurecem as feições dos personagens. A quase total ausência de música funciona inversamente, tornando pesados os longos planos de introspecção. Fica na retina a beleza de Hatice Aslan, nuns estonteantes 46 anos. Ceylan ganhou o prémio de Melhor Realizador em Cannes e
Os Três Macacos é a proposta turca ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2009.
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