NaPoIa (2004), o anterior filme de Dennis Gansel, passava-se em território Nazi, onde uma elite de estudantes eram treinados para serem futuros líderes após a vitória alemã na 2ª Guerra Mundial. O treino era brutal e assentava no pressuposto da derrota impiedosa do imponente, fosse amigo ou não, focando-se a tónica na aceitação ou rejeição do modelo por parte dos alunos.

Nessa óptica,
A Onda é apenas uma brincadeira que fugiu do controle. Passado numa escola da Alemanha actual,
A Onda avança como uma alegoria sobre o poder da manipulação, nomeadamente entre os jovens, permeáveis e influenciáveis, sempre a um passo da subversão, sedentos de uma mensagem de unidade e esperança que dê sentido às suas vidas em formação. A adesão e participação intensa dos alunos de um liceu a uma experiência sobre o modelo político autocrático está a um impulso de ultrapassar as boas intenções do professor, mostrando como uma iniciativa didáctica pode ter resultados pedagógicos distorcidos e desastrosos.

Este reconto de como um regime ditatorial pode ser abraçado tão rapidamente por alunos de liceu baseia-se num acontecimento verdadeiro, passado nas aulas de História ministradas pelo professor Ron Jones, na Cubberley High School de Palo Alto, California, em Abril de 1967. Dennis Gansel pegou na ficcionalização de Todd Strasser, tendo escrito e realizado um filme emocionante, que nos faz sentir os personagens e a acção, questionar as razões e a própria entrega, com a consciencialização trágica de que a História pode facilmente repetir-se.
Die Welle 2008
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