Sexta-feira, Janeiro 23, 2009

O Wrestler, de Darren Aranofsky

O Wrestler é a enésima versão do underdog em final de carreira, que sonha em ser alguém mas a quem nada corre de feição. Em termos práticos, o filme é um documentário aceitável sobre o degradante mundo do wrestling amador e o retrato do lutador é conduzido com sensibilidade e bom gosto, mas nunca chega a ser pungente e muito menos original.

Darren Aranofsky terminou a sua trilogia sobre doença e morte com The Fountain – O Último Capítulo (2006). A nova trilogia está bem definida, já que o próximo filme se intitula The Fighter (2009) e o seguinte RoboCop (2010).

Fala-se novamente do regresso daquele a quem Kim Basinger chamou de Cinzeiro Humano, mas já se apostara em Mickey Rourke em 2005, aquando de Sin City. Domino e Operação Stormbreaker deitaram por terra essa ambição, se alguma houve. Aranofsky revelou, inclusivamente, que só a indisponibilidade de Nicolas Cage e Sylvester Stallone determinou a escolha do actor de Homeboy, filme que escreveu e interpretou em 1988, sobre um boxer acabado. Rourke foi boxer profissional durante a primeira metade dos anos 90, tendo sofrido duas concussões e necessitado de cirurgia reconstrutiva no rosto.

Marisa tomei tem-se despido nos seus trabalhos recentes (Antes Que O Diabo Saiba Que Morreste, Factotum) e aqui não é excepção, mas o seu papel de stripper pedia tal compromisso, que a honra a ela e ao público. Evan Rachel Wood cresceu (desde a série Começar de Novo e o filme Treze) e transformou-se numa bela mulher; o cabelo pintado de preto emoldura o seu rosto próximo ao de Lynda Carter, a eterna Super-Mulher.

A estreia do filme foi atrasada diversas vezes enquanto aguardava pela canção de Bruce Springsteen para os créditos finais. Como vem sendo normal há duas décadas, a canção não tem nada de especial. O filme também não terá fornecido singular inspiração.

The Wrestler 2008

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