Delírios, de Tom DiCillo
Comédia deprimente que mete no mesmo saco um jovem sem-abrigo, um velho paparazzo e uma inocente celebridade e abana demasiado, à espera de que a compota se faça à custa da centrifugação. Sem um único momento de humor e com a sensibilidade de um elefante numa loja de porcelanas (nada de novo, tendo em conta o realizador), o filme avança sem personagens nem situações interessantes, chafurdando na lama dos holofotes e do estereótipo. Para se falar em sátira é preciso mais do que caricaturar parasitas e denunciar com nojo a ausência de glamour do mundo dos famosos.
Steve Buscemi está igual a si próprio, neurótico e desconfiado, e a sua representação em piloto automático não o beneficia; o actor voltaria a insistir na mesma tecla no seu filme seguinte ao interpretar, escrever e realizar A Entrevista (2007). O etéreo e aluado Michael Pitt terá sido escolhido unicamente por o seu visual à Kurt Cobain de Os Últimos Dias (2005) ter agradado a DiCillo e a parvinha Alison Lohman soube aproveitar melhor a amostra de celebridade em Onde Está a Verdade? (2005).
Delirious 2006
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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