
Vulgaridade atrás de vulgaridade, assim é a vida aborrecida na terrinha. Há um acidente a meio e um crime no final, apenas para juntar melancolia à papa. Associado ao projecto apenas como argumentista, David Gordon Green foi convidado para se sentar atrás das câmaras aoós a desistência do realizador inicialmente contratado. Green já contava com três longas metragens e duas curtas no currículo, todas escritas por si, mas não foi a escolha ideal para
Snow Angels. Sem saber dar direcções aos actores, Kate Beckinsale e Sam Rockwell carecem de intensidade e apenas se nota que têm frio (as filmagens decorreram no inverno nevado da Pensilvânia do Sul). As suas expressões faciais de quem perdeu o cão (em vez de uma filha) podiam ter sido representadas pelo telefone.

David Gordon Green mostra igualmente inépcia nos enquadramentos e é incapaz de injectar humanidade numa história sem substância. A montagem da primeira experiência sexual de um casal adolescente perde credibilidade ao ser entrecortada com o relato do rapaz à namorada de como estivera apaixonado pela personagem de Kate Beckinsale quando era mais novo – é duvidoso que uma namorada ficasse excitada com isso. Num filme de tons neutros e cores sóbrias, as unhas dos pés de Beckinsale, pintadas de invulgar azul vivo, distraem na cena em que o abusivo e armado marido decide lavar-lhos à força. Pormenores que o realizador não teve em consideração, e devia.
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