Sábado, Dezembro 13, 2008

Morte de Um Presidente, de Gabriel Range

É a terceira vez que Gabriel Range escreve e realiza um falso documentário, descrevendo um evento passado num futuro próximo e que depois desdobra numa visão retrospectiva. Já descarrilara o sistema de transportes inglês em O Dia Em Que a Grã-Bretanha Parou (2003) e se insinuara no jogo do mercado dos combustíveis fósseis em O Homem Que Danificou a Grã-Bretanha (2004), chegou agora a vez de assassinar o Presidente George W(alker) Bush.

Servindo-se de imagens de arquivo e meia dúzia de actores virtualmente desconhecidos, Range veicula um projecto que demonstra não passar de um título chamativo. No dia 19 de Outubro de 2007 (tendo o filme estreado um ano antes tanto na Inglaterra como nos EUA), em dia de manifestações anti-Bush em Chicago, este viria a ser abatido ao sair de uma palestra. Inventa-se uma investigação por parte do FBI e a intenção do vice-presidente Dick Cheney de manipular conspirações, implicando a Síria e a Al-Qaeda no assassinato, independentemente da falta de provas. O mesmo Dick Cheney é visto a fazer a elegia no funeral de Bush, cena com imagens reais, retiradas do discurso que fez no funeral de Ronald Reagan em 2004.

Em duas palavras, Morte de Um Presidente é maçudo e aborrecido, marcando pela ausência do comentário político à governação Bush e por uma análise serôdia de toda a situação. Depois da apresentação de um primeiro suspeito do crime, a alternativa que tenta criar-se, apenas como twist, é muito pouco credível. Se fosse um documentário verdadeiro sobre um acontecimento verídico, seria acusado de indigência narrativa. Como obra de ficção, tal acusação é ainda mais relevante.

Death of a President 2006

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