Dying God, de Fabrice Lambot
Se o realizador Fabrice Lambot for insultado na rua, o mais provável é sê-lo por um espectador deste filme, e se for esse o caso, deve pedir desculpas porque o insulto, por mais rebarbado, será totalmente merecido. Dying God não passa de desperdício de vídeo e de tempo. Primeira longa metragem deste argentino e com argumento seu e de Jean Depelley, com quem já partilhara créditos na curta Sangre Del Castigo (2005). Não se sabe qual dos dois teve piores ideias, mas como dupla são nulos (e o argumento ainda contou com a participação de Nicanor Loreti e Germán Val, provavelmente numa noite bem regada e escrito em papel higiénico).
Numa cidade (Buenos Aires com polícias americanos?) onde as prostitutas andam a ser ritualisticamente assassinadas, o protagonista é um polícia corrupto que tem as mãos em tudo o que é ilegal (vende armas apreendidas em serviço, aceita subornos e faz sexo com prostitutas em plena luz do dia, no carro estacionado em áreas urbanas), mas ainda assim é desculpado pelo chefe porque, aparentemente, só se entregou ao álcool e à trafulhice desde que a mulher o deixou com a justificação de que ele não conseguia engravidá-la. Ah, bom, isso muda tudo... Infelizmente, o actor James Horan é patético, demasiado consciente da câmaras e nitidamente a fazer frete. Uma vez que a maior parte da sua carreira é constituída por vozes de desenhos animados e videojogos, a sugestão mais simpática é de que se cinja a tal.
O serial killer revela-se o Deus Moribundo do título, mas este Deus mais parece o Monstro da Lagoa Negra com a cabeça substituída por uma caveira desdentada e pintada de verde, como o corpo. E tem um pénis que lhe chega aos joelhos. A razão porque fez tantas vítimas mortais está à vista...
A produção comete demasiados erros. O detective fuma na morgue, junto de cadáveres ainda por autopsiar. O parceiro faz queixa dele ao chefe e este ignora-o, apesar do detective ser insubordinado, irresponsável e corrupto. O detective executa à queima-roupa o seu moço de recados, com a pistola de serviço, e a bala não conduz a ele (aliás, nem se aborda a situação). Fala-se demasiado nas eleições que irão ter lugar dentro de um mês, mas isso não tem a menor relevância. Um feto de uma semana é arrancado do ventre da mãe e tem o aspecto de um bebé de três quilos. Para além disso, nunca se viu um threesome tão mal coreografado e ridículo. Mesmo para um série Z de baixo orçamento, Dying God não tem o menor atractivo. A história é incongruente, o ritmo letárgico e os actores têm futuro como figurantes mudos.
Espanta ver Lance Henricksen como actor secundário (só aparece aos 43 minutos de duração), e não é por aqui que Erin Brown, actriz conhecida como Misty Mundae no meio soft porn (de onde se reformou em 2004, ao cabo de sete anos de actividade e mais de cinquenta filmes com títulos sugestivos como Playmate of the Apes, Lord of the G-Strings e Spiderbabe), vai conseguir chegar ao mainstream.
Dying God 2008
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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