Death Note, Shusuke Kanedo
Em Dezembro de 2003, surgiu uma manga sensação intitulada Death Note, escrita pelo estreante Tsugumi Ohba e desenhada pelo aclamado Takeshi Obata (Hikaru no Go), a qual correu por 12 fascículos e contou as aventuras de um jovem estudante de Direito a quem veio parar às mãos um caderno com o poder de matar aqueles cujo nome nele fossem escritos. Seguem-se milhares de mortes de criminosos por todo o mundo e é criada uma força especial para descobrir o assassino, auxiliada por um mastermind incógnito. Uma das principais curiosidades da história é o protagonista ser, ou tornar-se, vilão, e a caçada ser conduzida nos dois caminhos, já que o jovem pretende igualmente eliminar aqueles que o investigam.
Exportada a manga para os Estados Unidos, em 2006 era claro o seu impacto e a necessidade de expandir o fenómeno, com duas longas metragens e uma série de animé com 37 episódios. As duas longas metragens devem ser vistas de seguida, pois trata-se claramente de uma história em duas partes, sendo que Death Note termina num cliffhanger e Death Note The Last Name conclui a narrativa.
Contratado Shusuke Kanedo, realizador da trilogia Gamera e de Azumi 2, para concretizar Death Note e Death Note: O Último Nome, a premissa de terror foi substituída por um desenvolvimento de fantasia juvenil. O protagonista revela-se um sociopata, mas não se questionam os seus princípios (livrar o mundo de criminosos), mesmo quando começa a subvertê-los (eliminar quem possa descobri-lo). Os facilitismos são tantos que tem de se lhes torcer o nariz: para além de matar qualquer pessoa desde que escreva o nome nesse caderno, pode especificar as circunstâncias da morte em grande detalhe e até antecedência, que a vítima se comportará como um fantoche durante extenso período antes de sucumbir. O mastermind que ajuda a polícia, por seu lado, tira conclusões da cartola; a primeira, de que o assassino é um estudante universitário é ridícula, baseando-se na teoria da probabilidade e aferindo que as horas a que não ocorrem crimes correspondem exactamente ao horário escolar de um universitário. Primeiro, isso implicaria que matasse ininterruptamente o resto do dia e também que não pudesse matar ninguém durante o seu período de aulas, o que não é líquido. Para cúmulo, quando o verdadeiro assassino se torna suspeito, ninguém se dá ao trabalho de ver se esse horário de estudante corresponde ao dele. A conclusão de que Kira precisa de saber o nome das vítimas para matá-las é tirada da cartola, quando a informação em si nunca poderia ser deduzida sem provas.. a maneira como as vítimas se tornam fantoches durante é também ridículo.
Em conclusão, Death Note é uma fantasia policial para adolescentes, com um argumento simplista e cuja história não termina, obrigando ao visionamento do segundo filme. Como elementos positivos, poderá aventurar-se a ideia de ritmo e ainda a presença em animação digital do Shinigami (Anjo da Morte) primordial dono do caderno mortal (e que se alimenta dos anos de vida que rouba àqueles que mata), figura curiosa e bem articulada, mas que se comporta como um mero espectador da trama e em nada contribui para o seu desenlace.
Desu Noto 2006
O Evangelho Segundo Cinéfilo
1 Comments:
Ond eu Consigo Baixa Esse Filme...?!
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