Bangkok Dangerous – O Perigo Espreita, de Danny e Oxide Pang
Os irmãos Pang decidiram fazer um remake do seu próprio filme Bangkok Dangerous, de 2000, mas o assassino surdo-mudo tailandês do original, é agora encarnado por Nicolas Cage apenas como um velho idiota cujo cabelo foi cortado por Edward Scissorhands. Com uma história ilógica, incoerente e confusa, uma realização sem o menor profissionalismo e um ritmo letárgico para não dizer comatoso, é penoso assistir ao quão baixo Nicolas Cage pôde descer.
Há muito que o esgroviado de Feitiço da Lua e Arizona Júnior deu lugar a uma figura dormente que ganhou um Óscar a apenas a beber e a dormir (Morrer em Las Vegas). Um papel de cientista transformado em Rambo (O Rochedo) deu-lhe a ilusão de que podia tornar-se herói de acção (Fortaleza Voadora, A Outra Face, 60 Segundos, O Tesouro I e II,) e desde então tem envelhecido com papeis cada vez mais inclassificáveis (O Escolhido, Ghost Rider e Next – Sem Alternativa).
A produtora de Cage comprou os direitos do filme tailandês, mas o argumento quase nem o esqueleto mantém intacto. Em vez de um assassino surdo-mudo que se apaixona por uma farmacêutica, há agora uma farmacêutica surda-muda que nada adianta para a história, a não ser pelo facto de Cage se interessar por ela (um dos momentos mais absurdos do filme é quando ele a convida para jantar: ela não percebe inglês e ele não percebe tailandês nem linguagem gestual). Com quatro contratos a cumprir durante um mês em Bangkok, o assassino solitário decide, inexplicavelmente, fazer amizade com um correio desconhecido e treiná-lo como discípulo.
Bangkok Dangerous é coroado de máximas insuportáveis e de uma piroseira inigualável, cujos expoentes máximos são: «os olhos nunca mentem», que recorda Stallone em Assassinos, a fazer círculos à volta dos olhos das vítimas em fotografias, e «olhei para os olhos dele e revi-me neles», aquando da escolha improvável de um discípulo asiático. Infelizmente, não há nada que redima este filme que, dito de acção, nem sequer sabe compor uma cena de forma minimamente empolgante.
Com uma narrativa sem originalidade (a não ser quando é estúpida), diálogos (e monólogos em voz off) sem a menor coerência, incompetência em injectar adrenalina nas confusas e pobres cenas de acção e com um Nicolas Cage acabado e com um corte de cabelo igual ao de Tom Hanks em O Código DaVinci (e gritantemente pintado de preto azeviche), a única coisa que escapa é a banda sonora de Brian Tyler (o que até admira, porque a partitura deste compositor para Olho de Lince, no mesmo verão, não tem a menor originalidade). O único homem capaz de safar-se excepcionalmente de semelhante desastre seria Dolph Lundgren, actor capaz de incutir naturalidade a guiões imprestáveis sobre assassinos contratados. E, já agora, se Cage era um assassino tão exímio, como é que o vemos desperdiçar tantas balas em showdowns inúteis, não deveria um tiro ser suficiente?
Bangkok Dangerous 2008
O Evangelho Segundo Cinéfilo
6 Comments:
Mais vale ficar pelo original então...
É pena ver os Pang irem na onda do hollywoodismo fácil e comercial. Esperemos que este filme lhes tenha servido de lição. :)
não sei se há aqui uma lição a tirar pelos irmãos Pang se pelo público. Deles vi O Olho e O Olho 2 e acho que há ali filme e meio para o lixo. I.é, a primeira metade de O Olho é absolutamente excelente, mas a meio já sabemos que os mortos querem ajuda e não fazer mal, por isso a segunda metade é apenas um policial, com a heroína a procurar a anterior dona dos seus olhos. mas de terror já não tem nada.
O Olho 2 é um filme mesmo muito mau. encontras a crítica neste blog, feita recentemente.
Agora com este Bangkok, confirma-se o que O Olho 2 predizia (e até têm uma comédia intitulada O Olho 10, de 2005).
cego no original?!!?
meu deus!!!
roftl!!
cego... e surdo. uma excelente combinação para um sniper.
jovem, cego és tu com certeza!!
Vai lá ver o original para ver se é cego.......ROFTL....isto é com cada "critico" de cinema.....
bom, aqui o je não vê tudo o que é filme. para dados técnicos, lê onde a informação está disponível. fui à wikipedia investigar e lá dizia especificamente que o atirador era cego e surdo e que ele não conseguia ver as suas vítimas nem ouvir os seus gritos.
fui à mesma página confirmar os dados e estes foram corrigidos na wikipedia para deaf and mute, mas antes estava blind and deaf assassin.
portanto, ele aparentemente já não era cego em 1999, mas a bibliografia induziu-me em erro.
de qualquer modo, obrigado pela rectificação.
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