Anamorfose, de Henry Miller
Thriller em tom melancólico, com Willem Dafoe a fazer pouco mais do que parecer obstipado. Apesar dos crimes de um serial killer que investigava terem parado após ter morto um suspeito, um detective continua a debater-se com a dúvida de poder ter apanhado o homem errado. Cinco anos mais tarde, vai finalmente a tirar a dúvida. Entretanto, vai passando o tempo a dar aulas de criminologia e a beber garrafinhas de avião (aparentemente, não investiga um crime em cinco anos). Empolgado anda o seu novo parceiro, recém-promovido a detective de primeira classe. Infelizmente, para além de fazerem cara de caso e olharem para as coisas de forma muito concentrada, não investigam absolutamente nada.
Filme a chapinar nas águas onde Se7en surfou, tem o serial killer artístico, um polícia perto da reforma e um aprendiz de detective, mas terminam aí as comparações. Anamorfose não arrisca nada. Tem uma fotografia excelente, mas a história é tão apagada como se não tivesse pago a electricidade. Todos os avanços na descoberta da verdade têm de ser voluntariamente facilitados pelo assassino, seja a mostrar o rosto numa perseguição, a fornecer uma fotografia reveladora ou a indicar claramente o local onde estará na cena climática.
O título refere uma técnica de pintura em que um quadro, quando analisado de uma determinada perspectiva, contém uma segunda imagem invisível à primeira vista. Esta é a particularidade da composição das cenas de crime, mas em nada aproxima a investigação da identidade do criminoso. Serve apenas como curiosidade cultural.
Willem Dafoe é um excelente actor, mas em Anamorfose parece usar capachinho, Scott Speedman prova uma vez mais que o seu futuro está na figuração e Peter Stormare e Clea Duvall são nomes demasiado grandes para esta produção.
Anamorph 2007
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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