Waking the Dead, de Keith Gordon
Baseado no romance de Scott Spenser, este filme é, a par da adaptação cinematográfica de O Detective Cantor (2003), a prova de que Keith Gordon nunca deveria desistir do seu emprego de caixa de supermercado. Maçador e amorfo, este filme sobre um candidato a senador que começa a ter visões da sua namorada que morreu dez anos antes não podia ser mais entediante. Estará viva, não estará, é o enigma que se vai desenrolando, mas completamente no vazio e sem nenhum outro ingrediente a ajudar a engolir.
A história pula constantemente entre 1972 e 1982, evidenciando as assimetrias entre a vida actual e o período em que o candidato conheceu uma activista política por quem se apaixonou, apesar de serem diferentes como a água e o vinho. As visões surgem quando ele está praticamente a conseguir aquilo por que sempre sonhou, fazendo-o duvidar de si e do que é realmente importante. Contudo, nada disso fica suficientemente claro pela direcção catatónica, que mantém na dúvida se o objecto das visões é real ou um fantasma, mas sem compor um bouquet minimamente compensador. Não admira que a Warner Bros tenha retirado o financiamento.
Billy Crudup e Jennifer Connelly são o melhor que o filme tem. Os actores, que se envolvem numa cena de sexo onde Connelly destapa seios e nádegas, já tinham feito uma cena de igual natureza em Inventing The Abbotts (1997). Curiosamente, foi Crudup quem sugeriu ao realizador chamar Connelly para uma audição, ela que apenas tinha entrado em Dark City (1998) desde então. A actriz estava desmotivada, especialmente depois de comentários pouco abonatórios de Jodie Foster sobre «as actrizes do tipo Jennifer Connelly», mas rapidamente se entregou a este filme e a sua representação é tão sólida que em 2001 viria a receber um Globo de Ouro e um Óscar por Uma Mente Brilhante.
Waking The Dead 2000
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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