Segunda-feira, Novembro 17, 2008

Viagem ao Centro da Terra, de Eric Brevig

Quando um filme carrega no seu título a indicação 3D, revela só por si qual a sua força motriz. Isto é, o seu objectivo é exibir capacidades técnicas e não narrativas. E ter Brendan Fraser a representar um explorador é indício similar, já que será impossível não o associar desde 1999 a uma alternativa a Indiana Jones, antropólogo extraordinaire, na saga A Múmia, que este verão exibe o seu terceiro Tomo O Túmulo do Imperador Dragão.

Independentemente de Fraser ganhar a Harrison Ford em duas frentes, Viagem ao Centro do Mundo não tem efeitos visuais prodigiosos e a interactividade deixa muito a desejar. Ao cabo de meia hora, a única cena de cortar a respiração é uma rápida corrida em vagões no interior de uma mina, desnecessariamente a piscar o olho a Indiana Jones e o Templo Perdido. Em retrospectiva, fica a sensação de que os perigos se resolvem com demasiada facilidade (o ataque das piranhas é disso evidência), de modo a que se ande para a frente, e a tridimensionalidade não passa de justificação para atirar coisas à cara da plateia.

Apesar de uma experiência simpática e de poder apelar à curiosidade dos mais novos para a obra literária de Júlio Verne (apesar da adaptação demasiado livre, em que o próprio romance de Verne é transportado pelos heróis e tratado como se fosse um guia de viagens), falta-lhe emoção. É numa montanha russa a pouco gás, onde se grita muito, mas não chega a haver perigo real.

Journey To The Center of the Earth 3D 2008

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