Sexta-feira, Novembro 07, 2008

Paris, de Cédric Klapisch

Um disparo fotográfico sobre um punhado de parisienses iguais a todas as pessoas, com as suas histórias simples, fragmentadas, que se tocam e nos tocam, com a força do quotidiano de uma cidade real e sem mistérios, próxima de qualquer outro burgo. Paredes meias com a alegria, o abandono e a tragédia. Algumas dessas histórias não começam nem terminam, mas é assim mesmo a vida e o seu colorido é o suficiente para prender a nossa atenção e não se dar o tempo por mal empregue.

Uma mulher ligada ao mundo da moda visita um armazém de distribuição de produtos alimentares (do género do MARL) e refere que é fascinante haver lugares como esse, com quilómetros só de fruta e outros tantos só de carne, pois compra tudo pela internet. O feirante que a acompanha contrapõe que fascinante é poder fazer-se as compras pela internet. São diferentes estados de alma, diferentes realidades, diferentes condições económico-sociais espalhadas por uma mesma metrópole. Paris é isso e o filme também.

Não se assiste às qualidades narrativas de A Residência Espanhola ou da sequela As Bonecas Russas, mas não deixa de ser, por isso, um caso superior de fait divers cinematográfico. Juliet Binoche, Romain Duris, Albert Dupontel e François Cluzet são apenas peças de um ensamble onde o cenário é tão importante para o ambiente como as pessoas, numa peça cheia de vírgulas e reticências, mas que evita os pontos finais.

A banda sonora de Bruno Coulais aproxima-se demasiado dos sons de Yann Tiersen para O Fabuloso Destino de Amélie, mas Yann Tiersen incorporou tão bem o som de Paris que talvez fosse uma imposição seguir-lhe as peugadas.

Paris 2008

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