O Rei da Califórnia, de Mike Cahill
Filme simpático sobre um parentesco disfuncional e uma relação afectiva entre um pai que acaba de sair do hospício devido a uma depressão e uma filha que já se habituara a viver sozinha e vê com incerteza o seu regresso. Há uma caça ao tesouro a dar colorido, mas a única coisa que vale realmente a pena é a representação fabulosa de Michael Douglas. O actor deleitou-se com o papel louco e barbudo, e é um regalo ver o seu empenho, a lembrar os tempos em que seduzia Kathleen Turner e o mundo como o aventureiro destemido e desbragado de Em Busca da Esmeralda Perdida (1984). O seu timing cómico está perfeito, assim como a sua caracterização, capaz de tocar-nos mesmo quando faz as coisas mais condenáveis e absurdas. Evan Rachel Wood está bem, mas não passa de uma muleta para Michael Douglas brilhar.
O argumento, do realizador Mike Cahill, foi finalista no Concurso da American Zoetrope de 2004 (a produtora de Francis Ford Coppolla), mas não tem nada que o destaque na sua mediania. O tema da caça ao tesouro não alvora mais do que um sorriso amarelo. Curiosamente, o tesouro estaria escondido por baixo de um armazém de retalho Costco e foi realmente filmado num, e como a equipa de filmagens lá permaneceu durante horas a fio por diversas noites, o armazém manteve uma caixa aberta para fazer negocio (a eles é que não chamam loucos).
King Of California 2007
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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