Sexta-feira, Novembro 21, 2008

O Passageiro da Chuva, de René Clement

Sob os cenários naturais de uma estância balnear do sul de França em época baixa, uma mulher, surpreendida por um violador, consegue matá-lo e esconder o corpo. No dia seguinte, um desconhecido pergunta-lhe porque o matou. Começa aqui um jogo de gato e de rato entre a expediente donzela (que recusa admitir a autoria do crime) e o implacável investigador (decidido a fazê-la confessar), num atmosférico clima de thriller que revolve apenas entre os dois personagens.

Charles Bronson estava no seu período de ouro. Perspicaz, cruel, misógino e omnipresente, num thriller francês (e com a voz dobrada) onde surge só ao cabo de vinte e seis minutos. Enigmático e carismático sob o perfil de rudeza, é a sua presença misteriosa que faz respirar a película. Marlène Jobert, pelo contrário, não poderia ter sido pior escolhida. Sem qualquer credibilidade durante a violação e acções subsequentes, a única coisa que joga a seu favor é o sorriso, mas apenas lho vemos no final.

Do mesmo realizador de Paris em Chamas (1966), Plein Soleil (1960), Brincadeiras Proibidas (1952) e Os Malditos (1947), chega-nos um ensaio policial com argumento e diálogos de Sébastian Japrisot, mestre do policial literário francês (já tinha escrito diálogos para Charles Bronson em Adeus, Amigo, de 1968). Demasiado cerebral, perde intensidade pela deplorável prestação da protagonista e pela ausência de elementos que espicassem a curiosidade para além da questão inicial. Algumas das variáveis são custosamente forçadas (nomeadamente na viagem a Paris) e há demasiadas reviravoltas perto do final, para tanto marasmo até então. Quem sabe, com outra actriz.

Le Passager de la Pluie 1970

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