Gula, de Brett Leonard
Partindo de uma ideia de Alex O’Loughlin, actualmente conhecido como o vampiro detective Mick St. John da série Moonlight, este pode muito bem ser o melhor filme de Brett Leonard, realizador inconsistente que tem recheado o seu currículo de mediania e mediocridade (Duelo Imortal - A Origem, Assassino Virtual e Lawnmower Man). O'Loughlin e Leonard conheceram-se durante as filmagens de Man-Thing - A Natureza do Medo, que tiveram lugar na Austrália, uma sorte para o desconhecido australiano O’Loughlin, já que originalmente eram para se ter concretizado em Nova Orleans (EUA) e a carreira do actor nunca teria descolado. A Natureza do Medo foi concebido directamente para o mercado de vídeo, mas acabou por ser comprado pelo canal de televisão por cabo Sci-Fi Channel, abrindo imediato lugar a Gula.
Com uma concretização escrita em cima do joelho por Kieran Galvin, argumentista e realizador australiano, a história de Gula envolve um polícia da brigada de crimes cibernéticos, escandalizado com um site em que uma mulher com mais de 270 kg é engordada diariamente frente às câmaras, site esse onde correm apostas sobre que peso atingirá ela antes de falecer, e quando é que isso ocorrerá. Uma vez que o site tem um sistema de segurança muito apertado e o polícia gosta de desafios, começa então um jogo de gato e do rato.
Também do elenco de A Natureza do Medo, Patrick Thompson é o abrutalhado polícia e Alex O'Loughlin o sedutor sociopata. Tirando o facto de estar de cabelo ridiculamente loiro, Loughlin aguenta-se bem com a sua típica expressão de quem não faz a uma mosca, mas o seu sorriso de menino entusiasmado é tudo o que precisa para parecer louco.
Com início em Hamburgo, recauchutamento na Austrália e desfecho nos EUA, Gula é integralmente rodado na Austrália e aproveitando a equipa de Man Thing. Em termos de ritmo, a realização recorre a inúmeros efeitos de vídeo e de iluminação e a uma montagem epiléptica, que compensam em termos de compasso, sendo que a música também toca um papel importante. É um filme que não se leva inteiramente a sério, mas também não dá parte de fraco.
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O Evangelho Segundo Cinéfilo
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