Flash Point, de Wilson Yip
Com Wilson Yip, realizador, argumentista e actor ao leme, Flash Point é um policial de artes marciais da nova escola de Hong Kong, com um argumento vulgar e tão leve que dificilmente dá para uma longa metragem. A diferença entre a energia fulgurante das cenas de acção e os arrastados momentos serenos acusa uma montagem frouxa e um ritmo irregular, deixando patente como são poucas e curtas as primeiras. Assiste-se a uma curiosa gestão de alguns momentos de suspense, mas o empenhamento na construção de um enredo assertivo é nulo.
A apoteose climática é, obviamente, um combate corpo a corpo entre o herói e o vilão, mas há demasiado tempo perdido com gente a correr e a dar tiros no vazio (ainda que com algumas quedas aparatosas, que até doem ao público) em vez de uma concentração na luta entre Donnie Yen (Hero) e Collin Chou (Matrix 2 e 3), que tem a duração aceitável de oito minutos mas, sendo Donnie Yen perito em Wushu de Shaolin, não se entende porque assenta tanto o combate em chaves greco-romanas (mixed martial arts não deveria ser sinónimo de preguiça).
Flash Point podia ser muito melhor, desperdiçando grande parte dos seus 88 minutos com cenas menores. Donnie Yen tem, inegavelmente, pose e estilo, mas não passa aqui de um elemento de ensemble, e o tempo de antena é tão repartido que ninguém se destaca. A direcção de fotografia, a banda sonora e algumas opções gráficas demonstram que Wilson Yp pode sair-se melhor no futuro.
Ao jeito de Jackie Chan, o genérico final inclui takes dos treinos para as cenas mais duras. Não é muita coisa, mas dá uma ideia do esforço e profissionalismo envolvidos na criação das coreografias.
Dou Fo Sin 2007
O Evangelho Segundo Cinéfilo
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