Sexta-feira, Novembro 07, 2008

Busca Implacável, de Pierre Morel

Busca Implacável não engana. A filha de um ex-espião americano é raptada em Paris e ele ruma à cidade das luzes para se embrenhar nos seus cantos mais negros, até a encontrar. Tanto não engana que nos vem imediatamente à memória Charles Bronson e os tempos em que limpava as ruas de Nova Iorque à lei da bala. Mas Liam Neeson, um actor que à partida surpreende neste papel (foi nomeado ao Óscar de Melhor Actor Principal pela Lista de Schindler e ganhou diversos prémios da crítica, nomeadamente por Michael Collins e Kinsey), assegura a diferença. Precisamente no ano em que James Bond busca vingança pela morte da mulher amada (Quantum of Solace), Liam Neeson mostra que não é preciso rejuvenescer um agente secreto para que este faça o impossível.

Após um início forçado e cliché (quer passar mais tempo com a filha que praticamente não viu crescer e a sua relação com a ex-mulher é crispada), que exagera desnecessariamente a nota (ele é o pai-galinha e a mãe é inconsciente a raiar a responsabilidade, quando vai deitar-se sem que a filha informe, pelo menos, que a viagem de avião correu bem e já está hospedada), rapidamente se chega à acção. Num único dia, Neeson desmantela uma rede de tráfico humano, provando que há um novo xerife na cidade, e nunca a palavra «implacável» se aplicou tão bem a alguém que literalmente deixa um rasto de cadáveres atrás de si.

A investigação é escorreita mas essa linearidade não assenta em facilitismos, sendo realista em todos os seus passos e não desperdiçando alguns becos sem saída que apenas somam à credibilidade. Também não se escusa a diversas imagens chocantes sobre as vítimas desse negócio hediondo do sexo não consensual. Acessoriamente, talvez até abra algumas pestanas habituadas a que este drama seja apenas associado a anónimas mulheres dos países de leste.

Busca Implacável desenvolve-se a um ritmo alucinante, ao nível de um condensado episódio de 24, e dispensa o humor para que nada distraia o pai vingativo. O que não dispensa são umas boas doses de tortura e ainda algum aikido muito mais eficiente do que o do enchouriçado Steven Seagal.

Escrito por Luc Besson (realizador de Nikita, Leon e Quinto Elemento) e Robert Mark Kamen (Karate Kid I-III, Arma Mortífera III, Quinto Elemento, O Beijo do Dragão e Correio de Risco I-III), Busca Implacável é o segundo filme de Pierre Morel, ele que já foi director de fotografia da produtora Gaumont de Luc Besson durante anos, nomeadamente nos filmes Correio de Risco e Danny The Dog – Força Destruidora e até foi operador de câmara em Joana D’Arc, o último filme de Luc Bésson com humanos. Morel estreou-se em 2004 com Os Gangs do Bairro 13, um filme de acção com influências de parkour. Em Busca Implacável, abandonou o estilo visual cartoonista, para adoptar um realismo cru de sérias influências do melhor período do policial negro francês, o dos anos 60 e 70 (período em que Alain Delon era rei). Liam Neeson aceitou participar porque, diz, aos 54 anos esta podia ser uma das últimas oportunidades de lhe oferecerem um papel de herói atlético. Quanto a Maggie Grace (da série Perdidos), parece mais nova do que é e Famke Janssen mais estúpida.

Taken 2008

5 Comments:

Anonymous Hugo Gomes said...

Oi, cumprimentos cinefilos, é só para avisar que descobri este blog por acaso e estou a adorar a tua analise aos mais variados filmes. deixo no coment acima o meu blog também ele de cinema, provavelmente para futuras trocas de informação cinefila. O teu blog já foi adicinado nos favoritos, continuação de um bom trabalho.

11/07/2008 7:08 PM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

obrigado pela leitura e pela apreciação :)

define "por acaso".

já deitei um olho ao cinematograficamentefalando, quando tiver mais tempo conversamos.

dizes que me adicionaste aos favoritos... do teu browser, suponho. porque ainda não estou mencionado entre os blogs recomendados pelo teu :P

se tens gostado de me ler, espero que gosts de me comentar porque, como qualquer escritor, gostava de saber quais os textos que preferiste.

11/07/2008 10:29 PM  
Blogger Sam said...

eu adorei o filme.
tem ritmo, adrenalina e tudo que é preciso num filme deste género. o facto do heroi não ser do estilo 007 ainda faz o filme melhor.

a cena em que a filha é raptada é arrepiante.

11/09/2009 1:16 AM  
Blogger Ricardo Lopes Moura said...

eu adorei o liam neeson, está frio e implacável, não perde um segundo e arranca sempre as informações. ele sabe que as primeiras horas são cruciais para que o rasto não se perca.

a ex-mulher é que é uma parva e era escusado.

acho que é um bom 007 vingativo. e eu gostei imenso do casino royale.

11/11/2009 12:58 AM  
Blogger Sam said...

ele está impecável.
tem todos os ingredientes de um bom filme.

11/11/2009 1:00 AM  

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