Beowulf e Grendel, de Sturla Gunnarson
Baseado no mesmo poema que inspirou a animação 3D de Robert Zemeckis de 2007, esta versão de Beowulf de carne e osso data de 2005 e tem Gerard Butler como protagonista, ele que já fora Átila (2001) e viria a liderar 300 soldados espartanos contra o maior exército persa alguma vez feito em computador, no ano seguinte. Desconhece-se o estado da sua musculatura, visto que, ao contrário do homónimo desenhado, Butler nunca despe a armadura.
O poema anónimo, do século VI, talvez o texto mais antigo da língua inglesa e que terá porventura começado os seus dias de relato em acampamentos militares reunidos junto à fogueira, conta o mito celta de um gigante que massacra os clientes de uma taberna dinamarquesa e é por sua vez morto por um valoroso guerreiro escandinavo, vindo a mãe do monstro (uma criatura marinha) mais tarde clamar vingança, serve apenas de mote à exploração da vertente mais “humana” e menos belicosa do monstro Grendel e também a de Beowulf, alargando o tempo da história inicial a mais do que uma noite.
Filmado nas geladas paisagens naturais da Islândia, a delineação da saga de Beowulf e Grendel de Sturla Gunnarson peca por falta de fôlego, com actores enregelados quase ao ponto de hibernação. Já para não falar de que nunca se viu uma corte dinamarquesa tão pindérica (não terão os banquetes no castelo de Hamlet passado de uma fantasia de Shakespeare?), é introduzida à pressão a personagem de uma atraente bruxa (Sarah Polley) só para Beowulf ter um interesse amoroso e mais facilmente compreender o conceito de diferença, já que a sua investigação (para matar o monstro, tem de encontrá-lo) o conduz à realização de que há um passado por trás do incidente na taberna, e que a resposta violenta impensada poderia ser um erro. Ainda assim, a história acaba como no poema, deitando por terra os esforços pacifistas polvilhados pela narrativa.
Beowulf and Grendel 2005
O Evangelho Segundo Cinéfilo
0 Comments:
Enviar um comentário
Links to this post:
Criar uma hiperligação
<< Home